Greenpeace coloca homem em gaiola para protestar contra transgênicos
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terça-feira, 03 de agosto de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 04 (AE) - Um homem colocado dentro de uma grande gaiola como se fosse uma cobaia. Assim, a organização ambientalista Greenpeace protestou, hoje, em frente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, contra os alimentos transgênicos. "Não seja cobaia! Estado livre de transgênicos - Greenpeace", assinala uma grande faixa. Em volta do homem engaiolado cerca de 20 ativistas da organização. Vestiam macacões brancos sobre os quais foi aplicado um grande X negro e mantinham-se de braços cruzados junto à "cobaia".
A manifestação foi em apoio a proposta do governo gaúcho de transformar o Rio Grande do Sul no primeiro Estado do Brasil livre de alimentos geneticamente modificados. Deflagrada através de outdoors, panfletos e da coleta de assinaturas, a campanha usa o logotipo do seriado de TV "Arquivo X". "Obtivemos autorização dos autores da série para empregá-lo na campanha de engenharia genética mundial do Greenpeace", explicou Karen Suassuna, uma das responsáveis pela mobilização. "Quem conhece a série sabe do que estamos falando".
Ela pretendia entregar uma carta ao presidente da Assembleia Legislativa, Paulo Odone (PMDB), com as reivindicações dos ecologistas. No documento, a entidade aceita a pesquisa científica mas repele a liberação do plantio e comercialização das plantas transgênicas. "É possível mantermos o Rio Grande do Sul livre dos transgênicos", acredita o secretário de Meio Ambiente gaúcho, Cláudio Langone, que acompanhou a manifestação. Ele entende que, além da proteção ambiental e à saúde da população, o Estado pode desfrutar de novas oportunidades de negócio, exportando alimentos convencionais e seguros para o consumidor europeu, que está mobilizado com os transgênicos. "Hoje já somos o maior foco de alimentos agroecológicos no Brasil", citou.
Produção - Antes mesmo do atual governo assumir, o Greenpeace já apresentara a sugestão para que o Rio Grande do Sul adotasse uma moratória de cinco anos para a produção e comercialização da soja transgênica e de outros alimentos com modificações genéticas. A organização ambiental quer adiar a adoção comercial dos transgênicos para que, durante este período de cinco anos, o assunto seja debatido e analisado para que se tenha certeza de que não haverá prejuízos à saúde e ao meio-ambiente. Atualmente, existem quatro projetos sobre transgênicos tramitando no Legislativo gaúcho.
O mesmo apelo foi feito ao governo federal mas o Ministério da Agricultura optou por liberar o plantio comercial de cinco variedades de soja transgênica da multinacional Monsanto. O Greenpeace e a Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) recorreram à Justiça e conseguiram, através de liminar, impedir o plantio. Para o Greenpeace, a imposição de um crivo rigoroso para os transgênicos é um cuidado necessário para evitar erros graves que ponham em risco a saúde da população, como aconteceu com duas substâncias, a talidomida e o óleo ascarel. Ministrada a gestantes, a talidomida provocou malformações nos fetos. Usado em transformadores elétricos, o ascarel foi banido depois que testes provaram que o óleo é altamente cancerígeno.


