Doze ativistas da organização ambientalista Greenpeace acorrentaram-se aos portões de entrada da siderúrgica Gerdau, em Sapucaia do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, ontem cedo, para protestar contra a contaminação das vizinhanças da empresa por ascarel.
Poluente altamente tóxico, um dos doze da lista negra internacional dos orgânicos persistentes (POPs), o ascarel é considerado carcinogênico (causa câncer), afetando sobretudo fígado, baço e rins. Contamina tanto o solo como a água de lençóis freáticos. Tecnicamente chamado de Alocloro 1254, o óleo é uma mistura de hidrocarbonetos, derivados de petróleo, e foi utilizado como isolante em equipamentos elétricos até 1981, ano de sua proibição no Brasil.
Segundo o Greenpeace, a Gerdau poderia ter recebido sucatas contaminadas com ascarel para reciclagem, porque a empresa não mantém o mesmo controle na unidade do Rio Grande do Sul e em suas instalações fora do Brasil, onde as leis são mais rigorosas.
José Paulo Martins, gerente de comunicações da Gerdau, admite a possibilidade de a empresa ter recebido sucatas contaminadas, mas apenas se isso aconteceu há mais de 10 anos, quando o monitoramento ambiental não era tão avançado e nem haviam leis obrigando à realização de tal controle. ‘‘A lei brasileira não obriga o monitoramento de contaminação por organoclorados. Concordamos com o Greenpeace quanto à necessidade de melhorar nossas leis, mas atendemos a todas as exigências legais e adotamos nesta unidade um nível tecnológico compatível com o de qualquer outro país’’, afirmou Martins.

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