Greca pode substituir assessores para tentar reverter desgaste
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Diana Fernandes 
Brasília, 27 (AE) - Na tentativa de reverter o desgaste político, o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, poderá trocar integrantes de sua equipe. A sugestão foi feita ao ministro pelo PFL, seu partido, em novembro, mas ele resiste em acatá-la. O comando do partido mudou o discurso: está solidário com o ministro, mas não pode fazer muito mais por ele; o próprio Greca é que terá de trabalhar por sua permanência no governo. No Palácio do Planalto, a ordem é evitar que um novo ministro seja despejado do governo. Pelo menos por ora.
"Deixa o ministro caminhar quietinho, fazer o seu trabalho; não se pode querer a queda de um ministro por semana", disse um auxiliar do presidente Fernando Henrique. A expectativa do Planalto é a mesma do PFL: que o próprio ministro se esforce para permanecer no cargo por mais algum tempo. Sua decisão de autorizar a quebra de seu sigilo bancário e telefônico - que também foi sugerida pelos líderes pefelistas -, foi louvada pelo PFL e pelo governo. Mas a atitude ainda é considerada modesta.
A forma como o ministro trabalha, cercado de assessores e amigos próximos do Paraná, incomoda o PFL e o presidente da República. É um grupo fechado de amigos que, na avaliação dos políticos, só complica a situação do ministro diante das denúncias de irregularidades no processo de autorização e funcionamento dos bingos.
"Se ele já admite mudar sua equipe, é um avanço", diz um ministro. O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, reafirma que o partido condena a ação dos procuradores do Ministério Público contra Greca. "Estão querendo massacrar o ministro", comentou. Mas já não garante que o partido irá defendê-lo. "Ele é o ministro, e ele é que tem de se safar dessa", disse Bornhausen, hoje, a um amigo.
Ao PFL só interessa manter Greca no Ministério se ele conseguir dar a voltar por cima rapidamente. "Não interessa ao partido ter um ministro ruim no governo, porque ministro ruim não ganha eleição nem de deputado", dizia hoje um senador, lembrando o caso de Reinhold Stephanes, ex-ministro do PFL do Paraná, que foi mal avaliado na Previdência e, depois, não conseguiu eleger-se deputado federal.
Mesmo que mude sua equipe de assessores paranaenses, Greca terá muito trabalho ainda para melhorar sua imagem no governo. Aprovar a Taxa de Autorização de Bingos, prevista na medida provisória que regulamenta os bingos e a administração dos clubes de futebol, é seu grande desafio. O próprio Greca admite, entre amigos, que se a taxa não for aprovada - o lobby contrário no Congresso é muito forte - sairá do governo muito mal. Se conseguir, salvará pelo menos parte da sua gestão no ministério.
Nas conversas políticas que corriam em Brasília, hoje, depois de nova exposição de Greca numa comissão do Senado, a certeza era de que ele ganhou uma sobrevida no governo. Ninguém arrisca a dizer por quanto tempo mais.


