Brasília, 27 (AE) - Na tentativa de reverter o desgaste político, o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, poderá mudar nomes de sua equipe - uma sugestão que lhe fora feita por seu partido, o PFL, em novembro, mas que o ministro vinha resistindo em acatar. O comando do partido mudou o discurso: está solidário com o ministro, mas não pode fazer muito mais por ele; o próprio Greca é que terá que trabalhar por sua permanência no governo. No Palácio do Planalto, a ordem é evitar que um novo ministro seja despejado do governo. Pelo menos por ora.
"Deixa o ministro caminhar quietinho, fazer o seu trabalho
não se pode querer que caia um ministro por semana", disse um auxiliar do presidente Fernando Henrique. A decisão de Greca de autorizar a quebra de seus sigilos bancário e telefônico - que também foi sugerida pelos caciques pefelistas - foi aprovada pelo PFL e pelo governo. Mas ainda é considerado pouco.
A forma como o ministro trabalha, cercado de assessores e amigos próximos do Paraná, incomoda ao seu partido e ao presidente Fernando Henrique. É um grupo fechado de amigos, que, na avaliação dos políticos, só complica a situação do ministro diante das denúncias de irregularidades no processo de autorização e funcionamento dos bingos. "Se ele já admite mudar sua equipe, é um avanço", diz um ministro do governo.
O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, reafirma que o partido é contra a ação dos procuradores do Ministério Público contra o ministro Rafael Greca. "Estão querendo massacrar o Greca", disse hoje. Mas já não afirma que o partido fará sua defesa. "Ele é o ministro e ele é que tem que se safar", disse hoje a um amigo.
Ao PFL só interessa manter Rafael Greca no Ministério de Fernando Henrique se ele conseguir dar a volta por cima em um curtíssimo espaço de tempo. "Não interessa ao partido ter um ministro ruim no governo, porque ministro ruim não ganha eleição nem de deputado", dizia hoje um senador, lembrando o caso de outro ministro do PFL do Paraná, Reinhold Stephanes, que foi mal avaliado como ministro da Previdência e, depois, perdeu uma eleição de deputado federal.

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