Greca diz que irregularidades já existiam e vai procurar Brindeiro
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segunda-feira, 07 de fevereiro de 2000
Por Eliane Azevedo 
Rio, 07 (AE) - O ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, disse hoje que vai procurar amanhã (08) o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, para discutir as investigações sobre irregularidades em sua pasta. "Eu encontrei um quadro de irregularidades já estabelecido anterior à minha entrada no ministério", afirmou. Hoje, após participar de uma solenidade na Associação Comercial do Rio de Janeiro, o ministro insinuou que as autorizações para funcionamento de jogos eletrônicos em troca de propinas ocorreriam em setores diferentes daqueles em que trabalham os funcionários que trouxe do Paraná.
"Estão propositadamente desviando o foco para mim, que nada devo e nada temo, e para os funcionários do ministério que lidam com os 500 anos do Brasil, com o desfavelamento de Porto Seguro, com a educação ambiental, e que também nada têm a ver com a área de bingos", disse. "Estão esquecendo os que têm a ver com a área de fiscalização, credenciamento e autorização de bingos."
O ministro não explicou, porém, o que está fazendo para investigar essas áreas, nem que provas levará a Brindeiro. Ele argumentou que as máquinas caça-níqueis entraram no Brasil em 1992 e que, desde então, houve "autorizações aos milhares" - mas que o foco das investigações limitou-se às dez máquinas autorizadas em junho do ano passado. Greca disse que está sofrendo um "sequestro moral", mas que teria pago seu resgate ao abrir suas contas telefônicas e bancárias, e as de sua mulher e de seus funcionários paranaenses.
À platéia de empresários, o ministro garantiu que continuará no cargo. "Acho que vocês vão ter que me aturar por um bom tempo, não apenas até a festa dos 500 anos", disse, referindo-se à declaração do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL) - do mesmo partido de Greca - de que o ministro ficaria no cargo pelo menos até a Festa do Descobrimento. "Quem mantém ministro é o presidente da República", afirmou Greca.
Ele negou que tenha pedido o afastamento dos procuradores da República Luiz Francisco de Souza e Guilherme Schelb, encarregados das investigações, e também desmentiu que as verbas para a festa dos 500 anos estejam sendo transferidas para o Ministério das Relações Exteriores.


