São Vicente, SP, 28 (AE) - O ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, disse, hoje, em São Vicente, o litoral paulista, que, se necessário, vai ao Senado para esclarecer as acusações do ex-presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto (Indesp), Manoel Tubino. Ontem, em depoimento na Comissão de Assuntos Socias (CAS), do Senado, Tubino disse que o ministro "foi o avalista" das irregularidades na pasta, envolvendo o funcionamento de bingos e a autorização de máquinas de jogo eletrônico.
Segundo Greca, o ex-presidente do Indesp nunca soube dizer a ele quantos bingos havia no Brasil, informação que está sendo levantada agora, em um amplo relatório que vai lhe ser entregue amanhã (29), em Brasília. "O que Tubino escondia, está sendo esclarecido em apenas duas semanas", disse. E afirmou que com isso começa "a abrir a caixa preta" que vinha envolvendo a questão. Greca, que esteve hoje em São Vicente para presidir os debates da comissão que prepara os festejos do 5º Centenário do Descobrimento do Brasil, atribuiu as denúncias à uma perseguição política que vem sofrendo por parte de três senadores paranaenses, seus desafetos históricos.
"Não podemos deixar que acidentes da política do Paraná
como bem afirmou o senador José Agripino (PFL-RN), comprometam a seriedade da minha missão, que é desenvolver o esporte e o turismo no Brasil", comentou. O ministro disse que nada tem a esconder e antecipou que todas as providências, no sentido de esclarecer a questão para a imprensa, Procuradoria e Ministério da Justiça já foram tomadas. Desconfianças - Greca disse que começou a desconfiar que havia alguma coisa errada, a partir do momento que Tubino passou a se esquivar sobre o assunto, segundo ele, "tentando jogar tudo nas costas do diretor do instituto, engenheiro Faria de Freitas". "Reconheço que estava pisando em um terreno minado, mas lembro que nas autarquias, os presidentes são responsáveis pelos seus atos", disse.
Ao comentar o depoimento prestado à Comissão de Assuntos Sociais pelo ex-presidente do Indesp, ontem, assegurou que não houve só acusações. "Houve um questionamento muito profundo da parte dos senadores que sustentam o governo, que desmascararam os falsos testemunhos contra mim levantados, principalmente as contradições do professor Tubino, dando conta que a portaria, assinada em junho, autorizando as máquinas eletrônicas, era minha, quando na verdade era dele, deixando clara a desinformação dos meus algozes".
De acordo com o ministro, ele já enviou uma carta ao presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, mostrando sua disposição em depor. "Não tenho nada a esconder, mas acho que só irei ao Senado depois que o relatório da Secretaria de Controle Interno do Ministério da Fazenda, da sindicância interna e da auditoria estiverem concluídos, caso contrário, só vou servir de bode expiatório político para os oponentes do governo", completou.

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