Grávidas ignoram vacina contra gripe
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terça-feira, 03 de maio de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
A adesão à campanha de vacinação contra a gripe neste ano superou as expectativas da Secretaria Municipal de Saúde. Na primeira semana, 53% da população que compõe os grupos de risco foram imunizados. Os portadores de doenças crônicas e os idosos, no entanto, são a maioria. Entre os doentes crônicos, 60,2% já passaram pelas unidades básicas de saúde e 58% dos londrinenses acima dos 60 anos de idade, foram vacinados. A procura é bem menor entre as gestantes e as mulheres que deram à luz recentemente. Das 5.444 grávidas esperadas pela Secretaria de Saúde, 1.584 receberam a dose da vacina, o que corresponde a 29%. Entre as puérperas, foram 307 imunizações das 895 previstas, índice de 34,3%.
O secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, não acredita que haja desinteresse por parte das grávidas e puérperas, mas disse não haver uma explicação lógica para a baixa procura pela vacina entre essa fatia da população. Ele ressaltou que o cálculo do número de vacinas para cada grupo é projetado com base na série histórica de cada ano e no número de mulheres em idade fértil. "Talvez não tenhamos todo esse número de gestantes", afirmou o secretário. "Oitenta por cento da população de gestantes são do SUS. É pouco provável que as gestantes da rede pública não estejam vacinadas."
As mulheres que acabaram de dar à luz, disse Martin, têm mais condições de serem monitoradas pela secretaria. "Estas dificilmente escapam ao nosso controle. As 307 provavelmente passaram pelo nosso serviço de saúde."
Foi assim com a operadora de caixa Sharon Alexandre Francisco dos Reis. Seu bebê nasceu há 11 dias, pouco antes do início da campanha de vacinação. Quando a campanha começou, ela procurou uma unidade básica de saúde para receber a dose da vacina. "Eu vi na televisão que precisava tomar a vacina. Sei da importância e fui até o posto de saúde. Disseram que poderia dar reação, mas nem deu", contou.
A dona de casa Rosana Lima dos Santos da Silva também procurou um posto de saúde tão logo o pequeno Moisés, de apenas 13 dias, nasceu. "Nunca peguei gripe forte, mas achei melhor tomar a vacina. É importante a gente estar prevenida."
Segundo o médico infectologista Jan Walter Stegmann, as gestantes e as puérperes são mais suscetíveis às complicações decorrentes da gripe por sofrerem alteração na dinâmica respiratória. "Nelas, a respiração é mais restringida e, se tiverem uma infecção, é mais grave. E isso não vale apenas para a Gripe H1N1", explicou.
Stegmann reforçou que a vacina não causa nenhum problema à gestante ou ao bebê e que os anticorpos fabricados pela mãe são transmitidos ao feto. "A vacina é completamente segura."
Além das gestantes e puérperas, a vacina é oferecida gratuitamente nos postos de saúde a crianças com idade entre seis meses e cinco anos, idosos acima dos 60 anos, portadores de doenças crônicas, trabalhadores da área da saúde, funcionários do sistema prisional, presidiários e indígenas. A meta do município é imunizar 142.244 pessoas até o próximo dia 20, quando se encerra a campanha. Para receber a vacina, é preciso apresentar um documento pessoal e a Carteira de Vacinação. As puérperas também devem levar a declaração de nascido ou a certidão de nascimento da criança.


