Pode ser o prenúncio do fim de uma tradição. A combinação terno e gravata, uniforme típico dos executivos, parece estar com os dias contados. É o ‘‘casual day’’, uma invenção norte-americana, que garante a informalidade às sextas-feiras, que agora se estende para os outros dias.
Muitas corporações chegam até mesmo a incentivar seus funcionários a adotar roupas mais informais, como calças de brim ou sarja, camisas pólo ou de mangas compridas em tecidos leves, para a maioria das ocasiões. O Citiclub, clube dos funcionários do Citibank – onde a medida vigora desde maio – chegou a fazer convênios com várias lojas especializadas para facilitar a renovação do guarda-roupa dos empregados.
Há três meses, a Coca-Cola do Brasil liberou seus executivos para usarem roupas informais, desde que não tivessem em suas agendas compromissos que exigissem trajes formais. ‘‘O que conta é o bom senso e o discernimento do funcionário’’, afirma a gerente de Desenvolvimento Organizacional da Coca-Cola do Brasil, Anna Paula Rezende.
A despeito do calor, até junho, cerca de 200 dos 500 funcionários usavam terno e gravata para trabalhar na multinacional. ‘‘Cerca de 80% aderiram ao estilo casual todos os dias’’, conta Anna Paula. A gravata tornou-se exceção para a maioria. De acordo com a gerente, a aceitação pode ser considerada unânime. ‘‘Se houver uma reunião formal marcada, naturalmente o executivo vai usar gravata e terno’’, diz. O estilo de roupa adotada pelos funcionários faz parte de uma política internacional da empresa, de oferecer maior autonomia para as filiais de cada país.
‘‘Priorizar o conforto dos funcionários é uma tendência mundial’’, afirma a gerente de Recursos Humanos do Citibank, Nora-Ney Ceneviva. A decisão de permitir aos empregados o uso de roupas casuais veio da matriz e foi repassada para funcionários dos 102 países onde o banco tem agências.
De acordo com Nora-Ney, a empresa ainda não tem dados tabulados a respeito da influência da nova forma de se vestir no trabalho e seus reflexos na produtividade. ‘‘Mas, informalmente, sabemos que, quando as pessoas se sentem mais à vontade, descontraídas, há reflexos na atividade profissional’’, diz.
Segundo a diretora, entretanto, o que prepondera não é a proibição do uso de terno e gravata, mas a liberdade, para que cada um use aquilo que considera mais confortável e adequado em cada situação.
‘‘Sem dúvida, a mudança foi para melhor’’, diz o gerente de Investimentos do Citibank Paulo Fernandes Garcia Filho, de 42 anos, há 26 na empresa. ‘‘Colegas de outras empresas elogiam a iniciativa, comentam o quanto é melhor trabalhar com roupas mais descontraídas’’, diz.
O executivo Luís Gustavo Diolo, de 30 anos, trabalhava de terno e gravata desde 1991, sempre em multinacionais. Hoje, comemora a informalidade. Há nove meses como diretor-geral do site w.w.w.sportsja.com.br, ele adotou o estilo informal. Nesse período, Diolo recorreu à gravata e ao terno em apenas três ocasiões, nas quais o traje era realmente indispensável.

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