Gratz ameaça quebrar sigilo de deputado da CPI
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 16 (AE) - Indiciado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico como suspeito de envolvimento no crime organizado no Espírito Santo, o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, José Carlos Gratz (PFL), ameaçou pedir a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do presidente da CPI, deputado federal Magno Malta (PTB-ES) e do governador José Ignácio Ferreira (PSDB). "Se quebraram o meu, vou quebrar o deles e quero ver se são tão transparentes como eu", desafiou o deputado.
Ele pretende pedir as quebras de sigilo do governador e de Malta - até as investigações no Espírito Santo, seus amigos e aliados políticos - em uma das CPIs abertas na Assembléia. Gratz abriu comissões sobre narcotráfico, criminalidade e sistema financeiro. O deputado ficou irritado porque José Ignácio, segundo ele, teria prometido, numa reunião ontem (15) à noite, intervir a seu favor na CPI do Narcotráfico - e, em seguida, deu entrevista à TV local negando o apoio ao presidente da Assembléia. Gratz levantou ainda a hipótese de prorrogar os trabalhos das CPIs estaduais pelo recesso de final de ano, para conseguir votar as quebras de sigilo. O governador não quis falar sobre o assunto.
O deputado disse que vai interpelar criminalmente o deputado federal Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), sub-relator da CPI para o Espírito Santo e autor do requerimento que pediu seu indiciamento. "Ele é meu inimigo político e montou um palco aqui contra mim", afirmou. Gratz atribui as acusações a um "complô político", que teria começado quando foram divulgadas as denúncias de que o governador teria obtido, durante a campanha, um empréstimo irregular de R$ 2,8 mihões no banco estadual. O deputado foi acusado pelo grupo de José Ignácio de ter vazado a história para imprensa.
Gratz defendeu o ministro da Defesa, Élcio álvares, que, segundo investiga a CPI do Narcotráfico, seria sócio de sua secretária no ministério, Solange Antunes Resende, num escritório de advocacia que representa integrantes do grupo de extermínio conhecido no Estado como Scuderie Le Cocq. "Falar mal do Élcio é falar mal de uma freira no convento", afirmou o deputado, que sempre teve no ministro um padrinho político.
Gratz, que, assumidamente, foi banqueiro do bicho, desafiou a CPI a encontrar provas de sua participação no crime organizado - com a ressalva: "A do bicho não vale, tem que encontrar alguma outra coisa."


