Grãos integrais ajudam na desintoxicação por chumbo
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Liana John 
Campinas, SP, 23 (AE) - A reabilitação dos fitatos - substâncias encontradas em grãos integrais e antigamente consideradas antinutricionais - podem ser uma saída, acessível para a maioria da população, para o envenenamento por chumbo ambiental. O chumbo é um metal pesado, muito disperso no meio ambiente. Além de ocorrer naturalmente no solo, era emitido pela queima da antiga gasolina com chumbo, contaminou grandes extensões de terra e vegetação e ainda está presente nas culturas, no leite, nas águas, em toda parte.
O envenenamento por chumbo ambiental costuma atingir mais as crianças. Pode diminuir a capacidade intelectual e afetar o intestino. Também é frequente a intoxicação ocupacional por chumbo, mais aguda, que atinge trabalhadores de fábricas de baterias e pilhas, de cerâmicas vítreas e de tintas. Em todos os casos, a ingestão de fitatos pode ajudar na desintoxicação, conforme mostram os resultados de oito anos de pesquisas de uma equipe de três pesquisadores, um técnico e uma pós-graduanda, coordenadas por Jaime Amaya Farfan, na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas, FEA-UNICAMP (http://www.fea.unicamp.br).
"Os fitatos (ou polifosfatos de inositol) eram considerados antinutricionais porque são antagônicos à absorção de minerais importantes para o organismo, contidos nos alimentos
como zinco, ferro, cobre e até cálcio", explica Farfan. Por isso tornou-se tão popular, há 100 anos, o beneficiamento dos grãos de arroz e trigo - polimento que retira os fitatos. "Ocorre que os fitatos também sequestram substâncias tóxicas, como o chumbo, e uma dieta sem fitatos está levando ao aumento de casos de envenenamento por chumbo ambiental", afirma.
Testes de laboratórios feitos com ratos demonstraram que os fitatos contidos no farelo do arroz, numa dieta contaminada por chumbo, levaram a uma deposição significativamente inferior de chumbo no sangue, fígado e rins do que as mesmas dietas contaminadas, ministradas sem o farelo.
A equipe da FEA trabalha, agora, para determinar qual a quantidade diária ideal de fitatos a ser consumida por pessoas, especificando, inclusive, recomendações para brasileiros de classe baixa, média e alta. As recomendações deverão considerar a dieta comum destas populações e a necessidade de contrabalaçar os efeitos negativos e positivos dos fitatos. "Desconfio até que o brasileiro de classe baixa consome mais fitatos do que o de classe alta, por exemplo, porque come mais feijão, embora o arroz, o macarrão e todas as farinhas sejam refinados", diz Farfan, abrindo exceção apenas para os adeptos do arroz integral.
Maiores informações podem ser obtidas pelo email [email protected] ou pelo telefone (19) 7884075.


