Granizo arrasou 15 mil hectares de soja no noroeste gaúcho
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Sérgio Bueno 
Ijuí, RS, 26 (AE) - Depois do período de seca, que começou em novembro, Ijuí, Augusto Pestana e Jóia, no noroeste gaúcho, foram varridos por uma violenta chuva de granizo e ventos de até 100 quilômetros por hora. A tempestade, que durou de 15 minutos a meia hora na noite de segunda-feira (24), liquidou pelo menos 17 mil hectares nos três municípios, dos quais mais de 15 mil plantados com soja. Os prejuízos nas lavouras alcançam R$ 10 milhões.
O agrônomo Eugênio Zanetti, da Emater-RS, calcula que a tempestade tenha formado um corredor de seis quilômetros de largura por 20 de extensão. Relatos de produtores rurais, entretanto, indicam que ela pode ter atingido uma faixa de quase 80 quiômetros de comprimento, entre os municípios de Jóia e Condor, próximo a Panambi. O vento e o granizo derrubaram postes e árvores, destelharam casas e galpões, arrasaram hortas e pomares e provocaram 100% de perdas nas lavouras por onde passaram.
Conforme o diretor técnico da Cooperativa Regional Tritícola Serrana (Cotrijuí), Jair Melo, 560 mil sacos de soja foram dizimados na segunda-feira, o equivalente a 33,6 mil toneladas. Somando-se o prejuízo causado pela tempestade à quebra de 86 mil toneladas já provocada pela estiagem, a produção de soja nos mais de 15 municípios de abrangência da Cotrijuí acumula uma retração de 21% em relação às 573 mil toneladas estimadas no período do plantio. A região dedica 273 mil hectares do produto, quase 10% da área total da cultura no Estado.
No milho o impacto foi menor porque a destruição ocorreu em pouco menos de 2 mil hectares. Mesmo assim, a cultura já enfrentava uma previsão de quebra de 50%, na média, em relação à estimativa inicial de colheita devido à seca. No período do plantio, os produtores locais esperavam tirar quase 156 mil toneladas em 40 mil hectares, revelou o agrônomo Darci Lorenzon, da Cotrijuí.
Depois de 30% da área colhida, onde as perdas oscilaram de 60% a 90%, já se passou a contar com uma quebra de 78 mil toneladas. A tempestade de segunda-feira aumentou esta conta para 85 mil toneladas, 54% da previsão inicial de safra. "Foi violento; teve gente que perdeu tudo", comentou Zanetti. Segundo ele, primeiro o vento "deitou" as plantas e depois as pedras de granizo, que chegaram ao tamanho de uma bola de tênis, arrasaram as lavouras. "Isso agrava muitíssimo os problemas já causados pela seca".
Técnicos do Banco do Brasil também estão no interior da região avaliando os prejuízos porque boa parte das plantações era financiada e tem direito ao Proagro. A Emater-RS, a Defesa Civil do Estado, a Cotrijuí e as prefeituras dos municípios atingidos estão fazendo um levantamento dos estragos. Amanhã (27) à tarde haverá uma reunião de avaliação em Ijuí e o prefeito local, Ortiz Schrer, poderá decretar estado de calamidade. Em função da estiagem, ele já havia decretado situação de emergência há 45 dias. Schrer disse que entre 350 e 400 propriedades rurais do município foram "total ou parcialmente" atingidas.
Na área urbana, 20 casas foram destelhadas, árvores caíram, quatro transformadores de energia queimaram, nove postes foram derrubados e houve ruptura em 20 pontos da rede de distribuição de eletricidade. Os prejuízos no sistema de energia, de responsabilidade da prefeitura, chegaram a R$ 50 mil, informou.


