Grandes redes acirram disputa por pequenos supermercados
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de maio de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 31 (AE) - A disputa entre as grandes redes de supermercados para ampliar sua fatia no mercado varejista brasileiro, que faturou R$$ 55,5 bilhões em 1998, está cada dia mais acirrada. Menos de um mês depois de o Grupo Pão de Açúcar, vice-líder do setor, ter arrendado 25 lojas do Paes Mendonça e encostado no líder Carrefour, a empresa francesa anunciou, em Paris, a compra 90% da rede Planaltão, com 16 lojas no Distrito Federal e vendas de R$ 174,8 milhões.
O valor do negócio não foi revelado e a diretoria da empresa, na França, informou que, a partir de amanhã (1), passa a administrar as novas lojas. Os ex-controladores do Planaltão, da família do atual presidente da Associação Brasileira de Superemercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, ficam com apenas 10% da companhia e assento no conselho de administração.
A diretoria do Planaltão informou que a sua marca será mantida nas lojas pelo fato de a companhia ser líder de vendas no Distrito Federal.
Com a compra do Planaltão, num tacada só o Carrefour amplia em quase três pontos porcentuais a diferença do Pão de Açúcar, que tinha ficado mais perto da liderança. No contra-ataque, o Pão de Açúcar inaugura amanhã as três primeiras lojas arrendadas do Paes Mendonça em São Paulo, depois de ter reaberto seis unidades no Rio de Janeiro no dia 20 de maio. Na reforma das lojas, o investimento da companhia deve somar R$ 50 milhões.
Vizinhança - A associação com a rede Planaltão, o Carrefour confirma a disposição de enfrentar o Grupo Pão de Açúcar também com lojas menores, na faixa de 2 mil metros quadrados, e não concorrer apenas no segmento de hipermercados, avalia o consultor da MIxxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo.
As duas redes nacionais agora estariam disputando vendas tanto no segmento de lojas de vizinhança como no de hipermercados.
O primeiro passo nesse sentido foi dado no ano passado, quando o Carrefour comprou 23 pontos-de-venda da Lojas Americanas e tranformou 18 deles no formato de lojas de vizinhança com a bandeira Stoc. "Como essas lojas estão muito espalhadas pelo Brasil, fica impossível para o Carrefour tornar esse negócio viável sem aumentar a escala de venda", afirma Foganholo. Por isso, argumenta, a compra de redes regionais, com faturamento anual entre R$ 100 milhões e R$ 300 milhões, deve continuar.
"Nos últimos 30 dias fomos assediados pelo Carrefour, Pão de Açúcar e Sonae", afirma o diretor de Marketing da rede Mineirão, Roberto Gosende, negando que tenha iniciado negociações para venda. Com a liderança na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), onde tem 37 lojas e fatura R$ 450 milhões, essa companhia se enqadra perfeitamente no perfil de empresa procurado pelas gigantes do setor.
Foganholo ressalta que o mercado do Paraná já está altamente disputado e o do Rio de Janeiro ainda tem, na sua opinião, um bom potencial para os líderes do setor comprar redes de médio porte porque a concorrência é menor.
Arrendamento - A opção das companhias líderes em arrendar, como fez o Pão de Açúcar, ou associar-se, como acaba de anunciar o Carrefour, às redes de médio porte é uma saída inteligente, na valiação de especialistas. É que, dessa forma, as empresas crescem rapidamente, "compram mercados", sem ter de gastar grandes cifras com imóveis e outros ativos. Na prática
os compradores adquirem os direitos sobre a rede de distribuição e as marcas.


