Grandes incêndios teriam atingido a floresta de Roraima na pré- história
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 11 (AE) - Evidências encontradas na área de floresta de Roraima podem provar que os grandes incêndios foram frequentes na região desde a pré-história. Pesquisadores encontraram sítios de carvão no subsolo em pontos no alto do Rio Negro, com idade entre 7 e 12 mil anos. Esse eventos devastadores estão associados a megas edições da anomalia climática El Niño. "Existe uma possibilidade concreta de se ter tido no passado geológico incêndios de grandes proporções", observa o chefe do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), Carlos Nobre.
Os El Niños de grande intensidade acontecem em períodos de 20 anos. Essa periodicidade pode ter sido determinante para os antigos incêndios na região, iniciados por causas naturais ou pela ação do homem. Pois as primeiras datações de vilas indígenas no lugar começam em 7,5 mil anos. Segundo Nobre, ainda não foi possível medir o tamanho das áreas de carvão encontradas. "Sem a presença humana creio que os incêndios seriam mais localizados e de menor proporção", observou. Estiagem - As observações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostraram que o período de estiagem em Roraima neste ano está muito diferente do ano passado. As chuvas estão acima da média e nestas duas primeiras semanas de fevereiro, o mês considerado mais seco dentro da estação, o nível de precipitação atingiu médias entre 20 e 60 ml na parte de floresta. "Há menos risco de incêndio com esse nível de chuva", comentou.
Mas ainda há perigo de um grande incêndio atingir novamente as regiões da floresta mais fragilizadas pela queima. A possibilidade da ocorrência de uma seca existe, mesmo sem a presença do El Niño. Nobre afirma que a fragmentação da floresta aumenta as possibilidades do surgimento e expansão do fogo na cobertura vegetal. Já que a umidade do ambiente fica reduzida pela maior entrada dos raios solares e o material orgânico morto serve como combustível. "Num próximo El Niño, o risco de incêndio será muito maior", avaliou.


