Grandes fabricantes deixam de participar da UD
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 22 (AE) - Pela primeira vez em 50 anos, grandes fabricantes de fogões, geladeiras e televisores não vão participar da Feira Internacional de Utilidades Domésticas (UD). Para contrabalançar o déficit na oferta de eletroeletrônicos, que chegaram a representar 20% dos produtos ofertados na UD nos últimos anos, os organizadores do evento ofereceram uma área de 5 mil metros quadrados para uma grande cadeia do varejo. Com isso, as marcas líderes de eletrodomésticos poderão participar da feira, ocupando a área dentro dessa gigantesca loja, a um custo reduzido.
"Estamos mudando o perfil do evento", diz o diretor da Alcantara Machado Feiras de Negócios, responsável pela UD, Jair Saponari, acrescentando que o investimento em marketing cresceu 30% neste ano. Ele confirma que está estudando a participação de uma grande rede na UD e diz que a versão deste ano, que será inaugurada no dia 8 de abril, vai contar com novas seções, como bricolagem, produtos voltados para áreas de esporte e saúde e a ampliação do setor de móveis.
A intenção, explica, é tirar a imagem de que a UD é uma feira de eletroeletrônicos. "Se tivermos dois fabricantes de televisores estará bom." E esse prognóstico está se confirmando. Dentre as grandes indústrias que não vão participar da UD estão a Philips, Philco, Electrolux, Semp Toshiba, Walita, Sharp, Moulinex, Mallory. A Multibrás, dona das marcas Brastemp e Consul, informa que está analisando a possibilidade, mas o mercado dá como certa a sua ausência. Neste caso, será a primeira vez que marcas líderes, como Philips e Brastemp abandonam o evento.
Não é apenas o custo que espantou as grandes marcas. Segundo Saponari, o preço do metro quadrado manteve-se em R$ 200 no último ano. Mas, na prática, as empresas chegam a gastar cerca de US$ 1 milhão por 1,2 metro quadrado. Segundo fabricantes, o mercado retraído desanimou a indústria, que prevê para o ano um número menor de lançamentos. "Estamos racionalizando os custos", diz a gerente de Relações Públicas da Electrolux, Charlotte Ericsson. No ano passado, a empresa lançou 30 produtos e neste ano optou por consolidar essas novidades no mercado.
A Philips, por exemplo, que lançou 50 produtos em 1998 e acaba de colocar no mercado um televisor de 37 polegadas, admite um número menor neste ano. "O ritmo estará mais ajustado ao mercado", diz o gerente de Comunicação, Guilherme Penteado.


