Grandes empresas vão financiar semana de 35 horas Do correspondente Reali Júnior
Paris, 18 (AE) - Os ministros da Economia e do Emprego e Negócios Sociais da França, Dominique Strauss Khan e Martine Aubry, chegaram a um acordo para aliviar a carga social das empresas e financiar a instituição da semana de trabalho de 35 horas. Eles estão submetendo ao primeiro-ministro, Lionel Jospin
um dispositivo legal cuja meta é arrecadar cerca de 25 bilhões de francos (US$ 4 bilhões) por meio da cobrança de uma taxa ecológica e uma contribuição suplementar das empresas mais ricas
que faturam mais de 50 milhões de francos (US$ 8 bilhões) por ano.
Ao todo, o governo espera obter cerca de 65 bilhões de francos (US$ 10 bilhões) nessa primeira grande decisão preparatória da segunda lei sobre a redução do tempo de trabalho no país.
Com essas medidas, Jospin conseguiu manter a unidade de seu governo, depois de uma disputa entre o ministro da Economia e o dos Negócios Sociais.
O plano, no entanto, está sendo contestado pelo empresariado, reunido no Movimento das Empresas da França, o Medef (ex-CNPF ). A entidade divulgou um comunicado advertindo sobre o paradoxo do governo Jospin, que tenta compensar a alta dos custos decorrente da adoção das 35 horas de trabalho com o aumento de impostos das empresas.
Para o presidente do Medef, Ernest Antoine Seilliére, essa incoerência não chega a surpreender, mas lembrou que mais cedo do que se imagina serão conhecidas as consequências sobre o nível de emprego e mesmo sobre a criação de novos postos de trabalho. Mais uma vez, Seilliére criticou a ausência de entendimento entre governo e empresários.
Para o representante do empresariado francês, o primeiro balanço das 35 horas é decepcionante. Dos 3.291 acordos recenseados, apenas 0,27% das empresas assinaram a redução do tempo de trabalho, reunindo 3,37% dos assalariados. Ele lembrou que o governo prometeu que as 35 horas seriam autofinanciadas, mas isso não se confirmou.
Quanto à redução das taxas que vão beneficiar as empresas que já assinaram acordos de diminuição do tempo de trabalho, a organização patronal se mostrou favorável à sua manutenção no nível atual.
Apesar dos protestos do empresariado, a verdade é que a doutrina da esquerda francesa sobre o custo do trabalho e a redução dos encargos sociais das empresas evoluiu bastante nesta década. Os discursos críticos sobre "presente para empresas"deram lugar a palavras mais consequentes.
Mesmo não se podendo comparar ao discurso da classe empresarial sobre a excessiva tributação das empresas, os partidos de esquerda no poder na França já reconhecem o problema
pelo menos no que diz respeito aos salários mais baixos; sem dúvida uma evolução, daí a solução apresentada ao chefe do governo pelos dois ministros.





