Grandes e pequenos "empresários" faturam na Festa do Peão
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sexta-feira, 20 de agosto de 1999
Por Brás Henrique, especial para a AE 
Barretos, SP, 21 (AE) - Não são só os grandes empresários que faturam na Festa do Peão. Adolfo Mantele, de 44 anos, mora na pequena Viradouro, não muito distante de Barretos, e tem uma rotina de aventureiro. Nos últimos 12 anos, pelo menos em três fins de semana por mês ele sabe onde estará: em alguma festa do peão.
Não viaja sozinho. Leva uma câmera fotográfica instantânea e o boi Tupã, de 15 anos e 1.200 quilos. Ele usa o animal para fotos com turistas, a R$ 10,00 cada. Se a máquina for do freguês, R$ 3,00. "Descanso de segunda a quarta-feira e depois viajo", diz Mantele, orgulhoso do que faz. O filho Eurípedes, de 16 anos, e o primo José Henrique o acompanham. O transporte é feito num caminhão F-4000 e os cuidados são intensos. "Lavo e alimento o boi todos os dias", conta. Ele prevê faturar R$ 4 mil nos dez dias da Festa do Peão de Barretos
no interior de São Paulo.
O mineiro Rafael dos Santos, de 22 anos, mora em Olímpia e, há nove anos, trabalha no evento de Barretos. Desempregado, nem sempre consegue bicos na lavoura de laranja. A solução é vender cachorrinhos de plástico. Ganha R$ 15,00 por dia de trabalho. Para isso, burla a fiscalização, que proíbe comércio ambulante no Parque do Peão. "Mas está difícil arranjar trabalho", diz, justificando a tentativa de "capturar" um freguês, assim como os garçons dos restaurantes, ávidos pelos 10% de comissão.


