Grandes distribuidoras venderam 22% menos em janeiro
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Eugênio Melloni 
São Paulo, 23 (AE) - As maiores distribuidoras de combustíveis do País - BR Distribuidora, Esso, Shell, Texaco e Ipiranga - tiveram, juntas, uma redução de cerca de 22% nas suas vendas, na comparação entre o mês de janeiro deste ano e o mesmo mês de 1999, de acordo com levantamento realizado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom). Simultaneamente, as vendas das demais empresas do setor, pequenas distribuidoras em sua grande maioria, cresceram 34,1%, tomando-se a mesma base de comparação. Na avaliação de Luiz Antônio Viana, presidente da maior distribuidora do País, a BR, os números evidenciam "a concorrência desleal" que as grandes empresas do setor vêm enfrentando, proporcionada pelo expediente da maior parte das pequenas distribuidoras de recorrer à sonegação ou à elisão fiscal para adquirir competitividade, diante da maior escala das gigantes do setor.
"Em um mercado caracterizado por uma carga tributária de 40%, quem consegue evadir-se do pagamento de impostos por meio da sonegação ou por meio de liminares, ganha muita competitividade", afirmou Viana. "Esse mercado não terá solução enquanto não for realizada a reforma fiscal."
As vendas de combustíveis das cinco maiores empresas, que haviam somado 3,276 milhões de metros cúbicos em janeiro de 1999, caíram para 2,551 milhões de metros cúbicos em janeiro desse ano. Juntas, as grandes distribuidoras perderam uma fatia de mercado de cerca de 7,8 pontos porcentuais, respondendo, em janeiro deste ano, por 76,4% do mercado.
O mercado, como um todo, diminuiu cerca de 10,5% na comparação entre os dois meses. De acordo com Viana, as pequenas distribuidoras que possuem liminar que as dispensam de recolher impostos como o PIS e o ICMS já estão absorvendo cerca de 83% do fornecimento de combustível da Refinaria de Paulínia (Replan).
A própria BR sofreu, isoladamente, perda significativa de mercado, na comparação entre os dois meses, com a redução de suas vendas de 863 mil metros cúbicos para 737 mil - uma queda de 14,6%. A Texaco apresentou redução de 23,2% (de 475 mil para 365 mil metros cúbicos); a Shell, de 22,8% (de 570 mil para 440 mil metros cúbicos); a Ipiranga, de 20,1% (de 721 mil para 576 mil metros cúbicos); e a Esso, de 15,3% (de 511mil para 433 mil metros cúbicos).
Os maiores avanços das pequenas distribuidoras ocorreram na venda de álcool, saltando de 13 mil metros cúbicos para 45 mil de um ano para o outro - uma expansão de 246%. "Um crescimento desses nunca ocorreria em situações normais", observa Viana. A venda do álcool carburante pela BR diminuiu 30 2% entre um mês e o outro; a da Esso, 36,1%; a da Shell, 42,6%; a da Texaco, 49,1%; e a da Ipiranga, 50,6%.


