Rio de Janeiro- Joãosinho Trinta, o mais famoso carnavalesco do país, está fora da Grande Rio. Depois da polêmica criada em torno do enredo sobre a camisinha, ele foi demitido ontem pela direção da escola, na qual estava desde o Carnaval de 2001.
Ao justificar a decisão, a escola informou que o carnavalesco desvirtuou o enredo, prejudicando seu desenvolvimento. Trinta, segundo a Grande Rio, deu destaque à liberdade sexual, deixando de lado o objetivo principal do tema: estimular a prevenção contra a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. A escola ficou em 10º lugar neste ano.
Os atritos com a Igreja Católica também pesaram na decisão da diretoria da escola. Católico praticante, Hélio de Oliveira, presidente da escola, disse que o carnavalesco ''só se preocupou em brigar e atacar a Igreja nos últimos 20 dias, quando precisávamos mais dele para preparar o desfile''.
Por orientação de Trinta, a Grande Rio trouxe um carro alegórico totalmente encoberto, com a inscrição ''censurado''. Outras duas alegorias também estavam parcialmente tampadas com tecidos que cobriam estátuas simulando posições sexuais descritas no manual indiano ''Kama Sutra''. O abre-alas, que também foi parcialmente encoberto com tecidos, apresentava Adão e Eva fazendo sexo.
Trinta optou por tapar os carros em resposta à uma recomendação do Ministério Público Estadual para que alegorias fossem menos explícitas. Não houve decisão judicial censurando os carros.
''Tínhamos um tema com uma preocupação social. Queríamos falar de prevenção, mas o enredo não foi bem desenvolvido. Em quatro anos, ele não conseguiu tirar uma nota dez de enredo'', afirmou Oliveira.
Procurado pela reportagem, Joãosinho Trinta não foi localizado. A assessoria do carnavalesco informou que ele estava dormindo e que só falaria depois da apuração, o que também não aconteceu.
De acordo com a Grande Rio, a decisão de afastar Trinta já havia sido tomada há duas semanas. Na ocasião, o carnavalesco fora informado de sua demissão.
Joãosinho Trinta está à frente de escolas de samba desde 1971, quando integrou uma comissão de criação do Salgueiro, liderada por Fernando Pamplona.
Naquela ano, a escola foi campeã com o enredo Festa para um Rei Negro. Seu primeiro título solo, também pelo Salgueiro, veio em 1974, quando contou a história da ocupação francesa ao Maranhão, Estado onde nasceu o carnavalesco.
Trinta deixou a vermelho e branco da Tijuca em 1975. Em 1976 e 1977, foi bicampeão pela Beija-Flor. Seu último título foi em 1997 pela Viradouro.

mockup