Granada explode durante assalto em coletivo e causa duas mortes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de dezembro de 1997
Bernardo de La Pe¤a Agência Estado Rio de Janeiro 
Tasso Marcelo/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Quatro segundosPoliciais do Esquadrão Anti-Bombas olham os restos da granada: não deu tempo para o bandido se arrependerDuas pessoas morreram ontem quando uma granada de uso exclusivo das Forças Armadas explodiu durante uma tentativa de assalto no ônibus que fazia a linha 373 (Tiradentes-Pavuna), na Avenida Brasil, no Rio. O acidente aconteceu por volta das 12h30, quando o desempregado Fábio Cardoso, de 20 anos, tentou roubar a pasta de Diógenes Machado Vaz. Ele resistiu, houve briga e a granada explodiu, matando os dois. Seis pessoas ficaram levemente feridas.
Cardoso ameaçava detonar a granada, em seu bolso, caso Diógenes não lhe entregasse a pasta - que continha apenas papéis. Para o delegado da 17ª Delegacia Policial, Maurilio Moreira, o episódio não passou de uma tentativa de assalto mal sucedida. Segundo o policial, Cardoso não conhecia Diógenes, que já estava no coletivo quando ele embarcou. Ficaram levemente feridos na explosão o cobrador, o motorista e quatro passageiros.
A polícia acredita que o assaltante não tinha a intenção de explodir a granada. Parece que ele teria tentado evitar que a granada explodisse, recolocando o pino, avaliou o perito criminal Oswaldo Franco.
Segundo ele, o assaltante queria apenas ameaçar Diógenes para que ele entregasse a pasta. Como os estilhaços atingiram o tórax, o pescoço e arrancaram sua mão direita, dá a impressão que ele tentou recolocar o pino, disse. O perito informou que quatro segundos depois da retirada do pino de segurança a granada explode.
Na mochila do assaltante, foram encontradas 20 balas de pistola calibre 45 e uma de calibre 38. Além disso, Cardoso levava um macacão de frentista do posto escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), dois cordões e duas pulseiras de metal dourado, a carteira de identidade e uma de trabalho sem registro de emprego.
Os técnicos do Esquadrão de Bombas da Polícia Civil do Rio - que inspecionaram o ônibus - disseram que foi uma granada defensiva, de uso exclusivo das Forças Armadas, de modelo M4, que provocou a explosão. Mauro Lage, perito do Esquadrão de Bombas, explicou que bombas defensivas são as fabricadas para soltar estilhaços. A explosão estilhaçou boa parte dos vidros do ônibus e quebrou o pára-brisa direito.


