Grampos comprovam atuação de facções em presídios paranaenses
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quinta-feira, 04 de dezembro de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Uma investigação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP-RN) que durou 10 meses culminou com a expedição de 223 mandados de prisão e 97 de busca e apreensão. Dos mandados de prisão, 154 referem-se a investigados já presos, integrantes de organizações criminosas, sendo os mandados necessários para evitar concessão de benefícios para os que continuam cometendo crimes. As ordens judiciais foram cumpridas no Rio Grande do Norte e também nos Estados de São Paulo, Paraná e Paraíba anteontem, na Operação Alcatraz.
De acordo com o juiz Henrique Baltazar, titular da Vara de Execuções Penais do Rio Grande do Norte, os diálogos dos presos paranaenses com os presos potiguares registrados por interceptações telefônicas comprovam que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) comandava de dentro dos presídios paranaenses as ações do tráfico de drogas e de armas, inclusive para financiar toda a operação por meio de furto de veículos e de caixas eletrônicos.
"Essas prisões foram decorrentes de três investigações paralelas conduzidas pelo MP-RN. Não me recordo dos nomes dos presídios, mas as gravações indicam que integrantes do PCC comandavam a partir de presídios paranaenses todas essas ações criminosas", disse ontem. Ao todo foram realizadas 2 mil gravações de interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial que comprovam a relação entre os presos do Rio Grande do Norte e os do Paraná.
A assessoria de comunicação do Ministério Público afirmou que foram realizadas 75 prisões em flagrante, antes da deflagração, em várias cidades potiguares, o que comprova os crimes de tráfico de entorpecentes, porte ilegal de arma de fogo e roubo.
As investigações apontaram a existência de outra organização atuante no sistema penitenciário estadual no Rio Grande do Norte, o Sindicato RN. As duas organizações criminosas estariam ditando diretrizes e princípios aos seus integrantes e articulando crimes fora dos presídios, tendo uma delas forte relação com outros Estados.
Ainda segundo o MP-RN, a maior apreensão de entorpecentes do ano da Polícia Rodoviária Federal no Brasil veio das investigações. No dia 18 de maio, na cidade de Dourados (MS), a PRF apreendeu 15,2 toneladas de maconha. O flagrante foi viabilizado por dados colhidos nas investigações do Ministério Público do Rio Grande do Norte e compartilhados com a Polícia Rodoviária Federal.
Segundo Baltazar, o MP-RN deve oferecer a denúncia na sexta-feira. "Devo receber isso no início da semana que vem. Provavelmente essas pessoas devem responder pelo crime de financiamento e formação de organização criminosa, que prevê de três a oito anos de prisão, e alguns deles também podem responder por associação para o tráfico", afirmou o juiz. Ele destacou que o Rio Grande do Norte não tem a intenção de receber os presos do Paraná que foram identificados pelas ligações telefônicas. "Dos mais de 200 mandados de prisão, 180 das pessoas já estão presas", revelou.
O diretor do Departamento de Execução Penal do Estado do Paraná, Cezinando Paredes, afirmou que desconhecia essa relação das facções criminosas do Rio Grande do Norte e do Paraná e destacou que irá entrar em contato com o Ministério Público para ter acesso a essas informações. "Eu desconhecia totalmente essa situação. Para mim não chegou absolutamente nada sobre isso. Entraremos em contato com o nosso serviço de inteligência para saber se ele detectou alguma coisa nesse sentido."


