Brasília, 25 (AE) - A divulgação de novos trechos das conversas telefônicas grampeadas na época da privatização do Sistema Telebrás está dominando os debates no plenário da Câmara. A estratégia dos líderes da coalizão governista é não deixar as críticas da oposição sem resposta. Logo no início da sessão, no chamado "pinga-fogo", o deputado Alberto Goldman (PSDB-SP), relator da Lei Geral das Telecomunicações, fez um pronunciamento defendendo as ações do governo no processo de privatização da Telebrás.
Goldman afirmou que o objetivo do governo sempre foi obter o melhor preço e garantir que a concorrência fosse vencida por qrupos qualificados. No chamado "grande expediente", quando os discursos são mais longos, a base governista também saiu na frente, com o discurso do líder do governo no Congresso, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), criticando a reportagem da Folha de S.Paulo. Ele teve a ajuda do líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), que pediu ao deputado Joaquim Francisco (PFL-PE) - inscrito para o pronunciamento - que cedesse a palavra ao líder do governo.
Vários deputados da base governista aproveitaram para apartear o discurso e prestar solidariedade ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Para rebater, a oposição escalou o deputado Walter Pinheiro (PT-BA) - ligado aos sindicatos de trabalhadores nas estatais de telecomunicações -, que defendeu uma CPI para investigar as denúncias. Pinheiro foi impedido de conceder apartes aos seus companheiros da oposição porque o deputado que presidia a Mesa - Efraim Moraes (PFL-PB) - foi rigoroso na observação do tempo do discurso.
A base governista também estava atenta quando o líder do Bloco liderado pelo PL, Valdemar Costa Neto (PL-SP), ocupou a tribuna para criticar o governo e o presidente Fernando Henrique. Quando ele comparou os responsáveis pela condução da privatização da Telebrás à "máfia siciliana", o deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) gritou ao microfone, que estava aberto: "Vossa Excelência é especialista nisso."

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