O governo vai investir cerca de R$ 1 bilhão em projetos de melhoria da graduação, considerada a ‘‘prima pobre’’ do ensino superior. Em agosto, o Ministério da Educação abrirá licitação de R$ 300 milhões para aquisição de equipamentos dos laboratórios de ensino e dos hospitais universitários. Oito universidades privadas já se habilitaram a receber parte dos R$ 500 milhões destinados à infra-estrutura. Outros R$ 50 milhões serão aplicados na recomposição do acervo bibliográfico, e há previsão de investimento de R$ 150 milhões em informatização.
Coordenador do Programa de Modernização e Qualificação do Ensino Superior do MEC, o professor Tuiskon Dick acredita que a injeção de recursos dará novo fôlego à graduação.
‘‘Historicamente, a pós-graduação tem tido alternativas de fomento, enquanto a graduação deixou de progredir como deveria, prejudicada por equipamentos e laboratórios obsoletos.’ Em média, a estrutura dos laboratórios tem mais de 20 anos, atesta o reitor da Universidade de Santa Maria (RS), Odilon Marcuzzo do Canto, ex-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes) e atual dirigente para a Região Sul. ‘‘Os orçamentos das universidades, que teoricamente deveriam alimentar a graduação, vêm ao longo dos anos definhando, e grande parte está hoje comprometida com a folha de pessoal’’, lamentou.
Os R$ 300 milhões destinados à compra de equipamentos de laboratórios de ensino atenderão a 52 instituições federais de ensino superior (R$ 200 milhões) e a 46 hospitais universitários (R$ 100 milhões). Foram listados 72 mil objetos entre 1.800 itens diferentes, desde um microscópio comum para laboratório de biologia até um sofisticado aparelho de tomografia nuclear magnética. Sessenta especialistas de universidades constituíram a comissão que definiu as prioridades, com base em 31 mil pedidos.
O governo espera que os primeiros equipamentos comecem a chegar ao Brasil no primeiro semestre do ano que vem. ‘‘Das instituições, será exigido apenas que tenham instalações apropriadas e condições de fazer com os equipamentos de fato sejam utilizados na melhoria do ensino’’, explicou o professor Dick.
Em dois anos, mais 512 mil livros serão destinados aos alunos de graduação das 87 instituições públicas e 117 comunitárias. Este ano, serão repassados às instituições R$ 19,5 milhões, e, em 1998, mais R$ 30,5 milhões. ‘‘Os recursos para bibliografia são curtos, e geralmente usados para compra de periódicos, o que vem empobrecendo o acervo’’, afirmou Dick, ressalvando que a contrapartida obrigatória das instituições elevará para 595 mil o total de volumes.
As universidades de Santa Cruz (RS), do Vale do Rio Sinos (RS), de Marília (SP), de Passo Fundo (RS), de Franca (SP), de Ijuí (RS), Mogi das Cruzes (SP) e a Faculdade de Araraquara (SP), todas privadas, já conseguiram aprovar projetos de infra-estrutura envolvendo R$ 133 milhões da linha de financiamento de R$ 500 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Destinado às instituições públicas e privadas, o financiamento foi ampliado, e, além de novas instalações, também poderá ser usado para equipamentos e até livros. Para as instituições públicas, a linha de crédito prevê a alienação de bens imóveis como forma de pagamento. Para o setor privado, as condições são boas: amortização em dez anos, com dois de carência e juros que chegam à metade das taxas de mercado.
‘‘As condições são favoráveis’’, afirmou o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub), José Carlos Almeida Silva, reitor da Pontifícia Católica de Salvador (BA). Para o presidente da Andifes, Tomás Aroldo Santos, reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, os recursos chegam ‘‘em boa hora’’, mas ele ressalvou que apenas as instituições com bens passíveis de alienação deverão ser atendidas. ‘‘O benefício que o empréstimo vai gerar depende do patrimônio, já que a única fonte para pagar o empréstimo é a desmobilização.’
O MEC ainda não tem fontes fixas de financiamento do projeto de informatização, mas o professor Dick se diz entusiasmado com a possibilidade de, ainda este ano, obter parte dos R$ 150 milhões que pretende reverter em dez mil computadores, capazes de interligar as 85 universidades públicas em uma rede nacional, e às regionais e internacionais, como a Internet. ‘‘Precisamos encarar o desafio estratégico de nos adaptarmos à tendência mundial de uso da tecnologia integrada no ensino e pesquisa’’, salientou. Hoje, em regiões mais ricas, como o Sudeste, a média já é de 20 a 30 alunos para cada micro, mas a intenção é atingir o mesmo patamar para o Norte e Nordeste, onde a relação atual é de até 80 estudantes para cada computador.

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