São Paulo, 19 (AE) - A Gradiente Eletrônica SA pretende concluir até o fim deste ano parte de uma reestruturação societária que dará origem a pelo menos quatro empresas independentes, nas áreas de telecomunicação, entretenimento, equipamento de segurança e áudio/vídeo. O objetivo é fazer com que o desempenho das operações do grupo fique mais claro ao mercado e reverter um prejuízo acumulado de R$ 127,8 milhões, de 1997 até junho deste ano.
A reestruturação pode implicar associações com outras companhias e, até mesmo, a venda de algumas dessas áreas, como a de áudio e vídeo. "Estamos conversando com vários grupos", admite o vice-presidente-financeiro da Gradiente, Luiz Roberto de Moraes Junqueira. "Desde que se chegue a um acordo interessante, é possível vender 100% de qualquer uma dessas novas companhias."
É pouco provável, no entanto, que a intenção seja passar para a frente o segmento de telecomunicações (fabricação e venda de telefones celulares), que deverá render à companhia um faturamento R$ 750 milhões neste ano e responde pela metade da receita do grupo. É exatamente no segmento vídeo, que detém 15% do faturamento do grupo e registrou queda nos últimos anos, que há dificuldades. "Até maio de 1998, o maior negócio era a área de vídeo, que agora se estagnou", diz Junqueira. "O último suspiro foi com a Copa do Mundo."
Desde o início do ano, a Gradiente começou a vender uma pequena parcela de seus produtos diretamente ao consumidor, usando canais alternativos, como Internet, televendas e catálogos em parceria com cartões de crédito. Essa será uma quinta área de atuação da companhia (Gradiente Service), que em um ano deverá responder por 5% das receitas do grupo.
De um faturamento de R$ 1 bilhão em 1998, que poderá chegar a R$ 1,2 bilhão neste ano, metade vem da área de telecomunicações, seguida pelas vendas de áudio, com 25%, vídeo, com 15%, e entretenimento, 10%.
Ao oficializar na contabilidade uma divisão dos seus negócios que já existe na prática, nas quatro fábricas de Manaus (AM), a Gradiente quer melhorar sua imagem no mercado e revalorizar seus papéis, dando ao investidor a percepção exata dos setores que dão lucro ou prejuízo. Os eurobônus emitidos pela companhia, por exemplo, chegaram a ser vendidos com deságio de 40% por conta dessa percepção ruim, diz o vice-pesidente.

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