Gradiente cria subsidiária de áudio e vídeo
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 30 (AE) - A partir de amanhã, as unidades de áudio e vídeo da marca Gradiente estarão reunidas numa nova companhia, a Gradiente áudio e Vídeo Ltda. Essa empresa será uma subsidiária integral da Gradiente Eletrônica S.A e nasce com a perspectiva de faturar de R$ 400 a R$ 500 milhões nos próximos 12 meses. "Estamos criando uma empresa zero quilômetro, limpa"
afirma Eugênio Staub, presidente da Gradiente Eletrônica S.A., que teve perdas de R$ 19,8 milhões no primeiro semestre deste ano e acumula prejuízo de R$ 127,8 milhões desde 1997 até junho deste ano. Para os acionistas da Gradiente, nada mudará com a novo formato do grupo, segmentado em três unidades de negócios (áudio/vídeo, telecomunicações e entretenimento), acrescenta.
Staub explica que a nova companhia herdou os ativos e passivos da Gradiente Eletrônica. Mas os créditos ruins, que tiveram origem nas concordatas e falências de empresas do varejo
foram provisionados e ficaram contabilizados na holding. Durante três meses, os ativos do grupo foram reavaliados pela Setape, uma companhia especializada nesse tipo análise, conta Staub.
Com a maior transparência de suas operações proporcionada pela segmentação do grupo que, na prática, começou em 1997 e agora começa a ser formalizada juridicamente, a intenção é preparar o terreno para futuras parcerias com outras empresas. O empresário acredita que as associações poderão ocorrer já a partir do ano que vem e não descarta a possibilidade de que essa nova empresa venha a abrir o capital no futuro. Ele nega que objetivo seja desfazer-se dessa nova empresa
As produções das unidades de áudio e vídeo fisicamente continuam separadas nas duas fábricas de Manaus (AM) e não há perspectivas de cortes de pessoal. "Os ajustes já foram feitos", diz Staub. No fim de agosto, foram demitidos 20 empregados administrativos do segmento de áudio e vídeo de um total de 1.500.
Dentro de um mês, no dia 1º de novembro, a unidade de negócios de telecomunicações do grupo ganhará vida própria, com a criação de mais uma outra empresa, a Gradiente Telecom S.A, uma companhia aberta. Ainda sem data definida, a perspectiva é também criar uma empresa limitada, que reúna as atividades do grupo ligadas ao entretenimento.
"A Gradiente holding será uma encubadeira de negócios"
ressalta Staub. Ele prevê que novas companhias, voltadas para segmentos específicos, como por exemplo, o setor de segurança, serão criadas num futuro próximo. O elo que unirá os acionistas será a marca Gradiente, diz ele.
Nova linha - Em novembro, a nova empresa lançará uma linha de vídeo, batizada de Impact. Segundo Staub, neste ano, os negócios com vídeo estão empatados e os provenientes da venda de áudio são lucrativos. Ao colocar no mercado uma nova linha de produtos, a intenção do grupo é equilibrar o desempenho dos segmentos de áudio e vídeo dentro da nova empresa.
No mês passado, o mercado de eletroeletrônicos não apresentou resultados expressivos. Em dois meses, o valor das ações do grupo aumentou mais que três vezes, passando de R$ 2 para R$ 6,65. Staub atribui essa valorização à reestruturação da empresa e não ao desempenho do mercado como um todo. "Nossa estratégia está certa."
De um faturamento de R$ 1,005 bilhão do grupo Gradiente em 1998, o segmento de telecomunicações respondeu pela metade. As vendas de áudio contribuíram com 25%, o segmento de vídeo por 15% e entretenimento, 10%.


