Grã-Bretanha volta a negar cidadania a Mohamed al-Fayed
Londres, 06 (AE-AP) - O Ministério do Interior britânico negou pela segunda vez, nesta quinta-feira (06), a concessão da cidadania britânica ao milionário egípcio Mohamed al-Fayed, de 66 anos, dono da tradicional loja Harrods e pai do namorado da princeca diana, Dodi-al-Fayed, que morreu com ela num acidente automobilístico em agosto de 1997, em Paris.
O governo emitiu um breve comunicado sobre a decisão, sem informar os motivos da negativa, mas enviou uma carta aos advogados do milionário informando que baseou sua decisão em dois casos controversos: uma batalha judiciária com um rival nos negócios e a compra de influência no parlamento.
Al-Fayed ficou furioso com a decisão - seu porta-voz definiu a sentença como "perversa" - e anunciou que vai recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça. "Eu sei que o establishment está por trás disto", disse aos jornalistas.
A primeira recusa foi em 1995, durante o governo conservador do primeiro-ministro John Major, que também não deu nenhuma justificativa para recusar o pedido de al-Fayed, que reside no país há 35 anos.
Ficou patente, na época, que o Ministério do Interior não havia perdoado as críticas feitas por Al-Fayed a dois secretários de Estado, os quais ele acusara de ter aceitado suborno para levar temas a debate no Parlamento.
Segundo fontes judiciais ouvidas pela imprensa britânica, a atual negativa tem como base os problemas que Al-Fayed teve com a Justiça britânica por causa de um mal explicado caso de roubo de documentos e jóias que estavam em uma caixa-forte na Harrods. A imprensa britânica levanta dúvidas sobre a origem de sua fortuna e dos meios empregados para a compra da Harrods, em 1985.
O milionário egípcio costuma dizer, porém, que é discriminação pelo sistema e os ingleses esnobes. Ele também conseguiu a antipatia da imprensa britãnica ao sustentar que o acidente em que seu filho e a princesa morreram foi resultado de uma conspiração dos serviços secretos britânicos para evitar que a mãe do futuro rei da Inglaterra se casasse com um muçulmano.





