Grã-Bretanha e Itália conseguem pouco apoio para invasão terrestre
Londres, 18 (AE-AP) - O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em visita aos Bálcãs, prometeu que a Otan vencerá em Kosovo, "aconteça o que acontecer". Mas isso não inclui soldados combatendo em terra, disse, nesta terça-feira (18), o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, ao lado de um líder italiano que acredita que os soldados podem muito bem ser a resposta.
Ainda incapaz de proclamar vitória na guerra aérea contra as forças sérvias, a aliança atlântica é menos coerente sobre o que fazer agora - apesar de, por enquanto, concordar sobre mais bombardeios e um novo esforço diplomático.
A agressividade britânica conquistou poucos seguidores na Otan e, sem o apoio de Washington, ela não seria uma ameaça concreta.
As diferenças dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte refletem realidade políticas internas. Pesquisas de opinião na Alemanha mostram forte oposição a uma campanha terrestre, enquanto na Itália, os partidários da diplomacia são tão numerosos quanto os que apóiam a ação militar da Otan em todas as frentes.
"A Alemanha acredita que o envio de tropas terrestres é impensável. Essa é nossa posição e isso não mudará no futuro", disse Schroeder em entrevista coletiva concedida em Bari, Itália
após encontrar-se com o primeiro-ministro Massimo DAlema.
Em entrevista publicada domingo pelo jornal La Repubblica, DAlema sugeriu que a Otan ofereceria uma pausa na campanha aérea se Rússia e China se unissem no patrocínio de uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas afirmando os termos de paz da aliança em Kosovo.
Estes termos são o fim de todas as atividades militares sérvias em Kosovo, uma retirada de todas as forças policiais e do exército, o retorno seguro de todos os refugiados, uma força internacional de manutenção de paz e um sério compromisso para negociar um acordo político.
Se o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, continuar recusando, disse DAlema, "nós precisaríamos enviar tropas terrestres".
Na Grã-Bretanha, Blair foi criticado pelos partidos de oposição que apóiam os objetivos da guerra da Otan mas acreditam que as táticas são muito tímidas.
Outros colegas da Otan acreditam na campanha aérea. "O bombardeio deve continuar até Milosevic aceitar os cinco pontos", disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Bélgica, Pierre De Bauw, nesta terça-feira.
Pesquisas de opinião na França detectaram uma maioria favorável ao envio de tropas terrestres, mas o presidente Jacques Chirac e ministro de Exterior, Hubert Vedrine, pressionaram recentemente por iniciativas diplomáticas.
A Grã-Bretanha sugeriu repetidamente que os soldados da Otan não precisam esperar por um convite de Milosevic. "Nós devemos examinar muito cuidadosamente o quanto pode prosseguir o exército iugoslavo sem chegar ao ponto no qual eles não possam oferecer resistência organizada", disse ontem o secretário de Exterior Robin Cook.
Mas o porta-voz da Otan, Jamie Shea, disse que a aliança debateu o assunto há algum tempo. "Nós ficamos claramente do lado de uma força de segurança internacional uma vez que a violência acabe."
Blair não se comprometeu em suas declarações sobre a guerra. "O que quer que aconteça, nós devemos vencer e a política de selvageria brutal que é a limpeza étnica deve perder e ser visto que perdeu", declarou ele ontem em Sófia, Bulgária.
O líder do Partido Conservador, William Hague, e o líder liberal democrata, Paddy Ashdown, expressaram na semana passada preocupação de que os preparativos para um ataque por solo comecem rápido, ou a Otan perderia essa opção com o começo do inverno.
Na Grã-Bretanha, críticos da Otan às vezes culpam o presidente dos EUA, Bill Clinton, e o público norte-americano em geral por se esquivarem da batalha.
No entanto, pesquisas de opinião indicam que os norte-americanos desejam mais o uso de tropas terrestres do que outros cidadãos de outros países da Otan. Recente pesquisa feita pela rede tevê ABC e pelo jornal Washington Post mostrou que 52% dos entrevistados apoiariam uma guerra em solo, contra 46% opostos à idéia.
Clinton declarou nesta terça-feira que a Otan atingiria seus objetivos "de um jeito ou de outro", acrescentando que "nós não temos e não teremos outra opção fora da mesa (de negociação)".
Em editorial publicado nesta terça-feira, o jornal londrino Daily Telegraph percebeu que "Tony Blair posicionou-se sabiamente como partidário da grande intervenção que está sendo minada pela delicadeza de Clinton em relação a uma guerra terrestre. Este quadro é bom, seja qual for o tempo que ele durar."
Mas o jornal pediu aos aliados europeus que considerem uma invasão sem a participação dos Estados Unidos.
Dentro da Otan, a mais forte oposição ao envio de tropas terrestres veio da Grécia, onde pesquisas de opinião detectaram oposição quase unânime à campanha aérea. O ministro de Relações Exteriores George Papandreou pediu domingo por uma paralisação de 48 horas nos bombardeios para oferecer "uma última chance de paz" à Iugoslávia.
A Hungria também negou a utilização de seu território como ponto de invasão, enquanto Portugal diz que não contribuirá com nenhum soldado para uma campanha terrestre.
O primeiro-ministro holandês, Wim Kok, evitou o assunto, enquanto Noruega, Espanha, Canadá e Dinamarca apóiam a atual estratégia.
Quando surgiu a questão no mês passado, o primeiro-ministro dinamarquês, Poul Nyrup Rasmussen, disse que os soldados poderiam ser enviados "sob quaisquer circunstâncias que pudessem estar ligadas a riscos".
"Acho que isso acontecerá em algum momento. Assim, podemos nos acostumar com a idéia", afirmou Nyrup Rasmussen.





