Londres, 14 (AE-AP) - A Grã-Bretanha e a Argentina assinaram hoje (14), em Londres, um acordo que permitirá aos cidadãos argentinos visitar as Ilhas Falklands (Malvinas) após 17 anos. Além disso, o governo argentino recebeu autorização para erguer um monumento em homenagens aos soldados que morreram na guerra entre ambos os países pela posse do arquipélago, localizado no sul do oceano Atlântico, em 1982. O acordo que determina a retomada do serviço aéreo mensal entre as ilhas e a Argentina, interrompida desde a guerra, foi assinado pelo ministro das Relações Exteriores da Argentina, Guido Di Tella, e o secretário do Exterior da Grã-Bretanha, Robin Cook. A princípio, os vôos sairão do Chile, com uma escala na Argentina, a partir de 16 de outubro. "O acordo é uma ocasião histórica para reforçar a confiança e reduzir as tensões e marca a passagem da era de choque para uma de diálogo", disse o chanceler britânico. Cook destacou ainda que nas últimas negociações com o ministro argentino foi colocado de lado o delicado problema da soberania das ilhas, das quais Buenos Aires reivindica a posse desde 1833. Di tella classificou a data de hoje (13) como um dia "muito importante" para a evolução das relações com a Grã-Bretanha. Contudo, os habitantes das ilhas - a maioria favorável a manutenção da soberania britânica - resistiram ao acordo. No domingo, houve uma manifestação na capital, Port Stanley, contra o rapidez com que as neociações estavam sendo encaminhadas. "Acho inevitável que algumas pessoas não fiquem felizes com relação a qualquer acordo. Isso porque o acesso da Argentina às Falklands é para muitos algo muito amargo de engolir, especialmente para as gerações mais velhas", afirmou Mike Summers, membro do Conselho das Ilhas Falklands que participou das negociações. No entanto, Summers considera importante a restauração da ligação aérea. "Mas o mais significativo para nós neste acordo é a união de forças para encontrar meios para proteger a região ao redor das Falklands da pesca predatória - principalmente dos navios taiwandeses - e encontrar formas de cooperação na conservação dos recursos naturais, porque esta é a nossa fonte econômica", disse. Di Tella e Cook concordaram em cooperar na administração e na preservação dos recursos naturais das ilhas. O governo argentino ainda prometeu revisar os nomes que utiliza para identificar diversos locais das ilhas - a maioria na língua casteliana imposta na ocasião da invasão argentina.

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