Grã-Bretanha abole lordes hereditários
Londres, 27 (AE-AP) - A Casa dos Lordes, sob pressão do primeiro-ministro trabalhista Tony Blair, concordou em abolir um direito de 800 anos que permite que nobres hereditários se sentem e votem na Câmara alta do Parlamento britânico.
Depois de horas de debates, os lordes aprovaram ontem à noite o projeto em sua terceira e última leitura por 221 votos a 81. O projeto regressará agora à Câmara dos Comuns para que sejam dados os toques finais.
"Um longo capítulo de nossa história está sendo fechado nesta noite", disse o lorde Strathclyde, líder do opositor Partido Conservador na Casa dos Lordes. "A história já foi contada".
A Casa dos Lordes tem 1.213 membros, dos quais 759 são hereditários, ou nobres que herdaram de suas famílias o direito de participar da câmara. Blair havia prometido acabar com a hereditariedade dos lordes durante sua campanha para primeiro-ministro.
Após a votação, a baronesa Jay, líder dos lordes, afirmou que era "tempo de agradecer e dizer adeus" aos lordes hereditários. "O projeto é uma parte central do programa deste governo para modernizar a constituição britânica e ajustá-la para servir a todo o país no século 21", disse ela. "Achamos que o primeiro passo é remover o elemento profundamente antidemocrático que os hereditários representam".
O Partido Conservador, apoiado pela maioria dos hereditários, havia se oposto à proposta, mas voltou atrás na última votação. Caso a proposta fosse rejeitada, Blair poderia apresentá-la novamente na Câmara dos Comuns, que é dominada pelos trabalhistas. Os lordes podem rejeitar um projeto da Câmara dos Comuns apenas uma vez.





