Governos terão desafio de gerar empregos para jovens
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2001
Do Rio de Janeiro 
Gerar empregos para uma população em idade de trabalhar deve ser um dos principais desafios para governos de todo o mundo. O Fundo das Nações Unidas para a População (Fnuap) calcula que existam cerca de 1 bilhão de jovens entre 15 e 24 anos, ou seja, é um enorme contingente em condições de ingressar no mercado de trabalho. Esse grupo é resultado do chamado ''dividendo demográfico'', que resulta da combinação da queda da taxa de mortalidade e do aumento da expectativa de vida.
Isso também é verdade no Brasil. Se os cálculos e projeções do IBGE estiverem certos, a população ativa brasileira vai aumentar até 2050. O processo deverá ser mais intenso até 2020 e provavelmente vai se concentrar na faixa etária de 30 a 59 anos, a se considerar o movimento verificado durante a década de 90.
Em 1992, a população nessa faixa etária correspondia a 31% dos brasileiros. Passou a 34,2% em 1999. No mesmo período, os grupos etários de 7 a 14 anos e 15 a 19 anos ficaram praticamente estáveis (a primeira faixa em torno dos 16% e a segunda por volta de 10% em relação ao total).
Na avaliação do IBGE, esse perfil demográfico vai representar a ''continuidade de uma forte pressão demográfica sobre o mercado de trabalho.'' O problema é que, durante os anos 90, o IBGE constatou uma ligeira queda da população que participa do mercado de trabalho: caiu de 61,5% para 61%. Ou seja, o que poderia ser uma vantagem - o aumento do número de pessoas em condições de produzir - corre o risco de ser anulada pelos ''ciclos restritivos do mercado de trabalho, especialmente em sua atual fase'', diz o estudo.
Além da dificuldade de oferecer trabalho para uma população ativa que não vai parar de crescer, também será necessário melhorar a qualificação do trabalhador. Novamente, o problema é mais grave nos países em desenvolvimento.
O relatório do Fnuap aponta a existência de uma grande disparidade entre ricos e pobres: enquanto na Europa Ocidental o analfabetismo não existe, na Ásia e na África não é incomum encontrar países onde metade da população é analfabeta. (A.E.)


