Salvador, 30 (AE) - As indústrias brasileiras de tubos e conexões estão com cerca de 40% de ociosidade pela falta de interesse das prefeituras em fazer obras de saneamento básico. A crise espelha o baixo investimento dos governos no setor de infra-estrutura: apenas 46% das residências no Brasil são atendidas por sistema de coleta de esgoto. E 8,5 mil pessoas morrem, em média, todo ano no Brasilem consequência da falta de saneamento básico. Esse e outros assuntos relacionado à água estão sendo discutidos em Salvador, no 1º Encontro Sul-Americano sobre Qualidade da água.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de álcalis e Cloro Derivados (Abiclor), Cláudio Oliveira, disse que as indústrias de tubos e conexões fizeram pesados investimentos para ampliar suas fábricas nos últimos anos, esperando um "boom" de saneamento para acompanhar o desenvolvimento do País
"mas isso lamentavelmente não vem ocorrendo".
Usado na fabricação do PVC, matéria-prima básica dos tubos e conexões, o cloro também é instrumento fundamental no tratamento da água. Seu poder de desinfecção permite o controle de diversas doenças como cólera, fébre tifóide e diarréias. O Brasil produz por ano cerca de 1,3 milhões de toneladas de cloro para uso da indústria petroquímica e tratamento de água. O consumo no setor de tratamento de água vem crescendo a uma taxa de 4,2% ao ano, mas Oliveira considera esse índice ainda muito pequeno.
"Temos que lembrar de um dado fundamental da Organização Mundial da Saúde: para cada R$ 4,00 que se inviste na desinfecção da água se economiza R$ 10,00 na medicina preventiva", disse. O paradoxo é que embora o Brasil seja o maior produtor de cloro da América do Sul, é um dos países com uma das menores taxas de água tratada, inexistente em 58% dos municípios brasileiros.
Falta - Ivan Estribi Fonseca, diretor operacional da Organização Pan-Americana de Saúde, entidade ligada à OMS, que também participa do encontro na Bahia, disse que além da questão do tratamento da água os organismos internacionais estão preocupados com a escassez do produto.
Revelou que pelos cálculos da OMS pode haver falta de água no ano 2025 em 48 países do mundo, afetando 1,4 bilhão de pessoas. A Organização das Nações Unidas (ONU) teme que a água seja motivo para as próximas guerras, no século 21. Fonseca acha que o grande desafio do homem no próximo milênio é desenvolver processos que permitam fazer retornar ao meio ambiente, sem poluir, a água já utilizada. "Há um esforço dos organismos para chamar a atenção da importância do esgotamento sanitário e da reutilização da água", disse.

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