São Paulo, 19 (AE) - O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Dagoberto Lima Godoy, defendeu hoje a ação do governo federal junto aos fornecedores de matérias primas básicas para conter os aumentos excessivos de preços verificados a partir da desvalorização do real. O empresário não quer tabelamento, mas o "diálogo" e a "cooperação" entre agricultura, indústria, comércio e serviços para evitar a volta da indexação e da espiral inflacionária.
Em anúncio publicado hoje nos jornais gaúchos, a Fiergs alerta que as indústrias do Estado tem "limites muito estreitos para segurar seus próprios preços em níveis próximos dos praticados antes da desvalorização do real". Essa situação ocorre, segundo a entidade, porque a maioria das empresas é de pequeno e médio porte e depende de fornecedores, comumente oligopolizados, que costumam vincular seus preços ao mercado internacional em moeda forte.
Godoy afirmou que "o aumento mais ou menos generalizado de preços é inevitável em função do grande volume de insumos importados nos produtos brasileiros. O que a Fiergs defende, ressaltou, é o entendimento, inclusive com a participação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), para que a transição ao novo patamar de preços relativos seja mais longa, com base em uma relação mais equilibrada entre o real e o dólar".
Segundo o empresário, as indústrias gaúchas estão sofrendo pressões "flagrantes" por aumento de preços dos fornecedores de alumínio, resinas plásticas, tintas, vernizes, pigmentos e vidros. "Alguns segmentos estão procurando recuperar as margens que ficaram reduzidas durante o período de sobrevalorização do real", acrescentou Godoy.
O presidente da Fiergs aproveitou para reiterar a cobrança de um ajuste fiscal em todos os níveis de governo, incluindo União, Estados e Municípios. "Inclusive, destaca Godoy, é necessário que seja feito até mesmo o serviço sujo (demissão de funcionários públicos). Atitudes antipáticas e dolorosas são o ônus do poder, pois embora os governos não quebrem, eles podem quebrar a moeda e toda a economia".

mockup