Governos estudam a criação de centro tecnológico para micro e pequenas empresas
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2000
Por Eugênio Melloni 
São Paulo, 21 (AE) - Os governos federal e de São Paulo estão estruturando a criação de um centro tecnológico destinado a ampliar a participação de micro e pequenas empresas nas exportações brasileiras. O Centro de Modernização Empresarial, como vem sendo chamado o projeto, oferecerá serviços e capacitação técnica a microempreendedores, com o objetivo de ampliar a participação desse segmento, responsável atualmente por 1,7% das exportações, para até 10% das vendas externas no médio prazo.
"O nosso objetivo é fazer com que os conhecimentos desenvolvidos na universidade, que normalmente ficam restritos ao meio acadêmico, ajudem a pequena empresa a tornar-se mais competitiva", disse Cláudio Rodrigues, superintendente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). A estratégia é ampliar a capacitação tecnológica das micro e pequenas empresas, aperfeiçoar a sua gestão empresarial, desenvolver produtos e processos e aprimorar as ações mercadológicas.
O Ipen abrigará o centro em seu câmpus, localizado na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), aproveitando instalações desativadas após mudanças operadas no programa nuclear brasileiro, do qual o instituto tornou-se a principal base de apoio tecnológico. Participarão do empreendimento outros órgãos de pesquisa, como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
Segundo Rodrigues, a expectativa é a de que o projeto, orçado em pouco mais de R$ 3,5 milhões, inicie suas operações em 2001. Inicialmente, seriam incubadas no centro 30 empresas, selecionadas entre as que recorrem a serviços de apoio oferecidos pela USP, que seguiriam um programa criado para tornar viáveis as exportações em um prazo inferior a 30 meses.
O projeto depende, entretanto, da definição de recursos para o financiamento. Os organizadores aguardam ainda uma resposta da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para o pedido de financiamentos da ordem de R$ 2 milhões.
Gargalos - De acordo com o Ministério de Ciência e Tecnologia, o centro foi concebido com base em informações, colhidas entre micro e pequenas empresas, que apontavam gargalos no caminho rumo ao mercado externo. Uma pesquisa realizada pelo Sebrae paulista com 180 micro e pequenas empresas revelou que a burocracia e os entraves alfandegários, a falta de financiamento
os altos custos da exportação eram os principais problemas encontrados pelos microempreendedores. Outro levantamento, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), detectou 90 pontos de estrangulamento em diferentes fases do processo de exportação. Com tais constatações, um dos primeiros focos do centro será transformar a estrutura interna das companhias.
A experiência de transferência de conhecimentos da universidade para tornar viáveis os negócios não é novidade para o Ipen. Nos últimos dois anos, também funciona no instituto o Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), em que estão incubadas quinze empresas tecnológicas, com o apoio do Sebrae-SP.
Nos próximos meses, o Ipen deverá lançar edital convocando mais 30 empresas tecnológicas e 40 da área de software. "Caminhamos para nos transformarmos, futuramente, em um parque tecnológico", afirmou Rodrigues.


