GOVERNO/ARRAES
Arraes rejeita pacto oposição-governo Por Angela Lacerda
Recife, 29 (AE) - O presidente nacional do PSB e ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, quer a oposição longe das conversas com o governo para resolver a crise. "O que Fernando Henrique quer é ser deixado de mãos livres, sem qualquer reação crítica, para proseguir com sua política anti-povo e de desmantelamento do Estado brasileiro", afirmou Arraes. Ele vai defender essa idéia na reunião dos partidos de esquerda, amanhã (30), no Rio, para discutir a crise nacional.
Arraes prega que a oposição apresente um programa altenativo
que vise à autonomia da Nação e que ajuste os interesses dos diferentes setores sociais e das várias regiäes brasileiras. Para isso, propäe a abertura de um grande debate que congregue não só os partidos, mas também "os sem-partido e todos os que estejam dispostos a lutar pelo enfrentamento dos problemas da população brasileira" e a consolidação de uma frente social.
Arraes - que já havia pregado a decretação de moratória por todos os governos estaduais de oposição - está convencido de que os efeitos da crise brasileira tendem a se tornar cada vez mais negativos e frisa que "as providências já previstas, ou em curso
objetivam apenas contorná-la, minorá-la, escondê-la". Ele acusa o governo federal de ter alienado os instrumentos de que o País dispunha para desfrutar de um mínimo de autonomia.
"O governo entregou-se incondicionalmente aos ditames do sistema financeiro internacional e, com isso, agravou o endividamento, fortalecendo o poder dos que, em proveito próprio
montam um moderno esquema de dominação e exploração", observou. "Na prática perdemos nossa autonomia com a subordinação ao FMI e a adesão completa, mesmo que informal, ao Acordo Multilateral sobre Investimento (AMI), ainda em discussão, mas já rejeitado até mesmo por países do mundo desenvolvido".





