São Paulo, 07 (AE) - Na mesma semana em que anunciou a intenção de participar com 30% das ações ordinárias na sociedade com o Ultra para comprar a Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene), e assim a central de matérias-primas do pólo de Camaçari (BA) não ficar nas mãos de gigantes estrangeiras (Dow Química, Basf e Repsol, por exemplo), o governo anuncia outra parceria no setor petroquímico.
Na década de 70, as companhias tripartite fechadas impediam que a Petrobras Química (Petroquisa) se retirasse das operações. Agora, quem faz o papel do governo, além da Petrobras
é o BNDES Participações, que pode vender sua parte nas comapnhias abertas a qualquer momento. O presidente do BNDES, Andrea Calabi, foi procurado para falar sobre o assunto, mas não se manifestou.
Riopolímeros - A Riopolímeros deverá assinar o acordo de acionistas, no próximo dia 25, quando também será anunciada a construtora do projeto - Lummus ou Bechtel. O controle está sendo definido da seguinte forma: grupo Suzano, com 33,3% das ações ordinárias, Unipar, com 33,3%, e o restante pelo grupo formado pela Petrobras, BNDESPar e Petros - o fundo de previdência da Petrobras.
Esse último grupo deve entrar na sociedade em forma de consórcio, evitando a já tradicional pulverização de comandos da petroquímica nacional - prática que o governo quer eliminar, a partir da sua reestruturação petroquímica. Anteriormente, a participação do governo limitava-se a 16% das ações, o que garantia o fornecimento de matéria-prima ao pólo gás-químico do Rio.
Participação indireta - Segundo fontes do setor no Rio de Janeiro, a participação da Dow Química continuará sendo indireta, já que comprou a Union Carbide, que por sua vez possui 13% das ações ordinárias na Petroquímica União, onde é sócia da Unipar.
A entrada do governo na sociedade, por meio da estatal e do banco de fomento, significa que o aporte de capital para a construção do pólo, que vem sendo projetado desde 1995 (o anterior era de 1989, mas foi inteiramente modificado), pode ser melhor viabilizado.
A implantação do pólo gás-químico do Rio exige investimentos de US$ 800 milhões, dos quais US$ 30 milhões serão desembolsados pelos sócios, este ano, para o início da terraplenagem e das obras de infra-estrutura. Do total a ser investido, 30% serão bancados pelos sócios e os outros 70% financiados por instituições nacionais ou estrangeiras. O pólo deve começar a operar a partir de 2003, para a produção de 540 mil toneladas ao ano de polietileno, com o insumo gás obtido na Bacia de Campos, do Rio de Janeiro.