Governo veta extradição de suspeito de crimes de guerra
Zagreb, Croácia, 18 (AE-AP) - Alegando razões de saúde, o governo croata decidiu hoje suspender uma decisão da Corte Suprema de extraditar um suspeito de crimes de guerra para a Corte de Haia, temendo que sua vida estivesse em perigo com a transferência.
Mladen Naletilic tem contra si 17 acusações por crimes de guerra durante a guerra da Bósnia, de 1992 1995. A Corte Suprema da Croácia concordou na sexta-feira em extraditar Naletilic, rejeitando sua apelação por um veredito de uma corte inferior.
Os médicos de Naletilic dizem que o croata de 52 anos sofre de problemas circulatórios sérios e precisa de uma cirurgia. O ministro da Justiça, Zvonimir Separovic, disse que o governo não tinha outra escolha além de adiar a extradição de Naletilic, por causa dos problemas de saúde.
O Tribunal de Haia reclamou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que a Croácia está tentando impedir a extradição de Naletilic para julgamento, levantando a ameaça de sanções internacionais.
Embora a decisão da Corte Suprema seja obrigatória, o governo tem o direito de impedir a transferência se o suspeito não tiver condições para viajar e ser julgado.
A decisaõ da Suprema Corte é "inquestionável e irrevogável", Separovic disse numa entrevista coletiva. "Entretanto, seria desumano insistir numa extradição se ela coloca a vida do suspeito em perigo". Naletilic adoeceu na véspera da decisão da corte e está internado em uma clínica civil. Médicos croatas dizem que a cirurgia é necessária para desentupir artérias.
O ministro da Justiça disse que a Croácia fez um pedido para que o Tribunal Internacional envie uma equipe médica para confirmar o estado de saúde do suspeito.
Naletilic, conhecido como "Tuta", teria comandado uma unidade paramilitar chamada "Batalhão dos Convictos", acusado de alguns dos massacres mais brutais de muçulmanos no sudoeste da Bósnia em 1993-94. O governo croata queria manter Naletilic em Zagreb até que seu julgamento terminasse. Mas o governo finalmente cedeu às ameaças de sanção.
A extradição de suspeitos de crimes de guerra é uma questão delicada para o presidente Franjo Tudjman antes das próximas eleições parlamentares. O governo tem forte apoio da linha-dura e dos nacionalistas rurais, que participaram ativamente da guerra de independência em 1991-92. Extraditar Naletilic amenizaria as pressões estrangeiras, enquanto atrasos apaziguariam fortes sentimentos nacionalistas no país.





