Brasília, 01 (AE) - O governo vendeu hoje integralmente o lote de R$ 1 bilhão em Notas do Tesouro Nacional série C (NTN-C) oferecido em leilão. A procura pelo título foi da ordem de R$ 3 bilhões. "Foi um sucesso", comemorou o secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa. Ao todo, 49 instituições financeiras participaram do leilão, apresentando um total de 149 propostas.
Essa foi a primeira venda das NTN-C - um título de longo prazo, indexado à variação da inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), criado especialmente para ser trocado por créditos securitizados (expressos em títulos) contra a União que estão em poder do mercado. Esses créditos ficaram conhecidos como "moedas podres".
No leilão de hoje, o Tesouro aceitou tanto créditos securitizados como dinheiro vivo em pagamento pelas NTN-C. Barbosa não soube precisar quanto receberá de cada um, pois as operações ainda não haviam sido liquidadas. Segundo o secretário-adjunto do Tesouro, Isac Zagury, dados preliminares mostram que houve "forte demanda por pagamento em dinheiro". Ele adiantou que os fundos de pensão compraram grande volume pagando em dinheiro. "No próximo leilão, a demanda será ainda maior", avaliou. "Muitas instituições informaram que não participaram do leilão porque houve pouco tempo para estudar o novo papel e tomar as decisões."
O Tesouro ofereceu, no leilão de hoje, dois tipos de NTN-C: com vencimento em três anos e com vencimento em sete anos. Pelos títulos de prazo mais longo, o governo federal concordou em pagar a variação do IGP-M mais 12,5% ao ano. Para os papéis de três anos, o custo para o Tesouro será a variação do IGP-M mais 12%.
Hoje, foram vendidos R$ 675,45 milhões em papéis de três anos e R$ 324,55 milhões em títulos de sete anos. Como houve deságio na venda desses papéis, o lote de R$ 1 bilhão de NTN-C representará um ingresso efetivo no caixa federal, entre créditos securitizados e dinheiro, da ordem de R$ 811 milhões, informou Zagury.
Barbosa anunciou, ainda, um novo leilão de NTN-C para o dia 27 de janeiro. Tal como hoje, a oferta será de R$ 1 bilhão em títulos, com igual vencimento: em 1 de dezembro de 2002 e em 1 de dezembro de 2006. No total, o Tesouro quer vender R$ 3 bilhões em NTN com essas mesmas datas de vencimento. O ideal, segundo explicou Barbosa, é que haja R$ 1,5 bilhão de NTN vencendo em dezembro de 2002 e mais R$ 1,5 bilhão em dezembro de 2006. "Nossa avaliação é de que o leilão foi bem sucedido por causa do apetite demonstrado pelo mercado por papéis de prazo mais longo", disse Barbosa. "Estamos otimistas com a possibilidade de essa emissão representar referência parar outras captações do Tesouro Nacional; é uma primeira etapa, no sentido de cumprirmos nossos objetivos", completou.
A criação da NTN-C faz parte de um pacote de medidas que pretende alongar os prazos de vencimento da dívida pública e fortalecer o mercado secundário de papéis federais. O secretário discordou de avaliações feitas no mercado de que a procura pelas NTN-C teria sido impulsionada pelo repique da inflação. "Não acredito; todos sabemos que a elevação da inflação é um fenôneno passageiro", afirmou. "O mercado é perspicaz e trabalhou com um horizonte de médio e longo prazos".

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