Brasília, 05 (AE) - O ministro do Planejamento, Martus Tavares, vai viajar ao Japão dentro de duas semanas para vender os projetos de investimentos do programa Brasil em Ação e tentar reativar os negócios com aquele país, que já foi o terceiro maior investidor no Brasil e hoje ocupa o sétimo lugar. O Itamaraty, junto com outras áreas do governo, está empenhado em divulgar as oportunidades abertas pelo programa Brasil em Ação e já fez isso no Uruguai e na Argentina.
De acordo com o o ministro interino das Relações Exteriores, embaixador Luiz Felipe Seixas Corrêa, o Japão, que possui investimentos da ordem de US$ 4 bilhões no Brasil, se tem mantido fora do processo de privatizações brasileiras. "Com a mudança de atitude - houve um esfriamento nas relações depois da crise que iniciou no fim dos anos 90 - pode haver um reaquecimento dos negócios", afirmou Seixas Corrêa.
O embaixador viajou ao Japão e à Coréia do Sul na semana passada para estimular os negócios e a cooperação com esses países que, segundo ele, junto com a China, são "peças estratégicas" para as perspectivas do Brasil na ásia. Segundo Seixas Corrêa, foi assinado um convênio entre a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e a organização patronal japonesa para a elaboração de projetos de criação de sinergias entre as estrututras industriais dos dois países.
Com os coreanos, o embaixador conversou sobre a possível retomada do projeto de construção de uma fábrica da ásia Motors, que comprou a Kia Motores, na Bahia. A Kia recebeu incentivos fiscais do governo da Bahia para a contrução da planta, mas não executou o projeto, o que resultou em uma multa de US$ 230 milhões, cujo pagamento ainda está sendo discutido com o governo brasileiro.
Além disso, representantes do governo dos dois países discutiram a criação de um fundo a ser administrado por Brasil e Coréia, que aportaria recursos dos dois governos para desenvolver cooperação em ciência e tecnologia. "Os dois países têm um nível equilibrado de desenvolvimento, o que possibilita trocas na área científica e industrial", disse o embaixador.
Segundo ele, essa aproximação fará o Brasil identificar "nichos" de oportunidades na Coréia. Não há nenhuma empresa brasileira nesse país, enquanto todas as multinacionais coreanas possuem fábricas no Brasil.
O fundo, que a princício seria de US$ 2 milhões, foi sugerido por uma comissão Brasil-Coréia, cujos trabalhos de identificação de afinidades duraram dois anos e foram concluídos recentemente.

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