Governo vai regionalizar Programa Especial de Exportações
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de maio de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 03 (AE) - O assessor especial da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Ruy Pereira, informou hoje que o governo decidiu regionalizar o Programa Especial de Exportações (PE), com o objetivo de engajar maior número de pequenas e médias empresas ao processo exportador. A primeira experiência nesse sentido, segundo ele, será feita no Nordeste, através do Banco do Nordeste, que irá treinar, com o apoio da Camex, agentes em comércio exterior que irão atuar junto a empresas de pequeno e médio porte da região com potencial exportador.
Além da parceria com o Banco do Nordeste, Ruy Pereira disse que há a expectativa de fazer um acordo semelhante com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), através do programa São Paulo Exporta (SPEX), recentemente criado com o objetivo de estimular as vendas externas do Estado. Segundo ele, a Camex já enviou alguns subsídios referentes a dificuldades apontadas pelos empresários para exportar, coletadas através das gerências do Programa Especial de Exportação, e está disponível para uma maior troca de informações com a entidade.
Pereira explica que a idéia de regionalizar o PEE surgiu após a Camex verificar que a maioria das 59 gerências privadas do PEE está localizada em São Paulo, Estado que possui o maior número de empresas e de exportadores. "Isto significa que o empresário que não estiver em São Paulo dificilmente falará com alguém ou terá acesso às informações", afirma. Nesse sentido, a tarefa do Banco do Nordeste será a de, com base nas cadeias produtivas integrantes do PEE, estimular a adesão de novas empresas nas exportações em setores que forem relevantes para a região. "É uma forma de agregar os pequenos", observa.
Uma outra alternativa que está sendo avaliada pela Camex
segundo Ruy Pereira, é a de utilizar as informações coletadas através do Programa Especial de Exportação no apoio a negociações externas que forem realizadas pelo governo brasileiro com outros blocos econômicos. Assim, as informações vinculadas à realidade das empresas - identificadas através das gerências do PEE - servirão de subsídio em negociações com o Mercosul, Comunidade Andina, Alca (área de Livre Comércio das Américas) e Comunidade Européia, por exemplo.
Ruy Pereira diz que esta proposta já foi, inclusive, apresentada pela Camex à Confederação Nacional da Indústria, para que os problemas reais dos exportadores subsidiem a elaboração da agenda brasileira para a próxima reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), a chamada "rodada do milênio", que acontece no final do ano. "Queremos usar as informações dos gerentes privados do PEE para orientar as negociações de acesso a novos mercados, por exemplo", afirma.
Ao agregar essas duas estratégias ao PEE, Ruy Pereira diz que o governo está atacando duas frentes essenciais para aumentar as exportações: maior participação das pequenas e médias empresas no processo exportador e abertura de novos mercados para as mercadorias brasileiras. Na avaliação dele a meta traçada pelo programa de duplicar as exportações do País - atualmente em US$ 53 bilhões - até 2002, é perfeitamente viável. "Considerando que os 59 setores agrupados no PEE responderam por 88% da nossa pauta de exportações em 1998, esta não é uma meta muito difícil", afirma, observando que os entraves às exportações estão sendo identificados pelos gerentes do programa para serem resolvidos.


