A partir de janeiro, o governo vai pagar parcelas extras do
seguro-desemprego para os trabalhadores que estiverem parados pelo período de 12 a 18 meses. São três parcelas de 100 reais cada - além do seguro-desemprego normal que é pago durante cinco meses aos que provarem ter trabalhado pelo menos 24 meses nos últimos três anos. As parcelas do seguro normal variam de R$ 130,00 a R$ 243,24.
O aumento do desemprego é um dos maiores temores manifestados pelos brasileiros, em pesquisas de opinião pública como a feita entre os dias 27 de novembro e 1º de dezembro pela Confederação Nacional da Indústria, em conjunto com o Ibope. Esse levantamento mostra que a maioria - 64 por cento - teme um ano difícil, principalmente por conta desse item, além dos problemas na área de saúde e das drogas. O temor é reforçado pelas previsões de técnicos do próprio governo, para os quais o contingente das pessoas sem trabalho deve saltar dos atuais 8% para 13% no primeiro trimestre de 99.
Caso a previsão se confirme, será o pior índice da história. No entanto, o governo espera que a situação melhore a partir do quarto trimestre do ano. Essa melhora vai depender do programa de ajuste fiscal, que pode levar à redução da taxa de juros (hoje de 36% ao ano). Projeções oficiais apontam para redução dos juros a 16% ao ano, até 2001, mas analistas do setor dizem que é preciso baixar ainda mais para viabilizar o crescimento e, consequentemente, amenizar o problema do desemprego.
Ainda com relação ao problema do desemprego, os dirigentes sindicais insistem na necessidade de se dar mais atenção aos programas de capacitação, destinados a trabalhadores que precisam passar por cursos de requalificação a fim de serem reintegrados ao mercado profissional. Já o pesquisador da Fipe, Heron do Carmo, observa que está havendo um ajuste na sociedade brasileira, em termos de acerto de salários, e uma das formas de interpretar isso é que ele permite uma acomodação.
‘‘Se tivermos flexibilização de salários, não precisaremos ter queda significativa no emprego’’, afirma. Ele considera positivo o fato de categorias de trabalhadores concordarem em manter um número maior de pessoas empregadas a manter o salário. De certa forma, conclui o economista, isso mostra que ainda há otimismo: ‘‘Ninguém faz um acordo para sempre. Só o faz porque é por pouco tempo’’.

mockup