Curitiba - O ministro da Aquicultura e da Pesca, José Fritsch, disse, ontem, ter ficado assustado com a gravidade do dano ambiental na Baía de Paranaguá com o vazamento de óleo do navio VicuÀa. Ele esteve ontem em Paranaguá e percorreu de barco e de helicóptero a região do acidente. Logo depois, anunciou a liberação de R$ 1,7 milhão do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para pagamento do seguro-desemprego aos pescadores, que estão impedidos de trabalhar.
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) proibiu a pesca nas baías de Paranaguá, Antonina e Guaraqueçaba, por tempo indeterminado. A proibição entrou em vigor na última terça-feira. A Secretaria Especial de Aquicultura e da Pesca tem cadastrados cerca de 3,3 mil pescadores. Somente os trabalhadores registrados há pelo menos um ano terão direito ao benefício. A Delegacia Regional do Trabalho (DRT) começa a receber os pedidos do seguro-desemprego hoje.
Fritsch informou que, em princípio, a compensação financeira aos pescadores está prevista para dois meses. O prazo, no entanto, poderá ser estendido de acordo com o tempo de proibição da pesca. As multas aplicadas contra os responsáveis pelo acidente e parte do seguro do navio, segundo o ministro, poderão ser usados para repor o dinheiro do FAT, que serviria para o pagamento do seguro-defeso. Os pescadores têm direito ao benefício por conta da proibição da pesca no período de reprodução de algumas espécies.
Os pescadores que acompanharam o anúncio do ministro disseram preferir continuar trabalhando a receber o seguro-desemprego. Antônio Carlos de Carvalho, que há 22 anos sobrevive da pesca, afirmou que a compensação no valor de um salário mínimo (R$ 260,00) não cobre as despesas de sua família. Esta, segundo ele, é a época em que os pescadores mais faturam, chegando a tirar de R$ 60,00 a R$ 70,00 por dia.
O pescador Dolarino Alves Pereira, 62 anos, sabe que não poderá receber o seguro-desemprego. É que apesar de continuar exercendo a atividade, ele já recebe uma aposentadoria de R$ 670,00 do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Mesmo assim, ele se queixa das dificuldades que terá com a proibição da pesca, pois é com a venda dos peixes que ele complementa a renda para sustentar mulher, filha e dois netos.(A.L.)

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