Brasília, 17 (AE) - O governo vai liberar R$ 250 milhões para o custeio da próxima safra de café brasileira. A decisão foi tomada hoje, durante reunião do Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC), realizada sob a presidência do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes. A solicitação dos recursos foi encaminhada para o Conselho Monetário Nacional (CMN), que deve se reunir ainda na próxima semana para apreciar o pedido.
Durante a reunião de hoje também ficou definido que serão investidos R$ 4 milhões, ainda este ano, em campanhas de marketing, visando estimular o consumo de café no mercado doméstico e externo. Deste total orçado, metade será aplicada em promoções no mercado interno e a outra metade para campanhas internacionais. A alocação de recursos será dividida entre governo - através do Funcafé - e a iniciativa privada.
Segundo o ministro, a ênfase do programa será dada a novos tipos de café. "A idéia é promover a exportação não só de café cru, mas também do produto solúvel e industrializado (torrado e moído), visando aumentar os embarques de produtos com maior valor agregado", disse.
Os membros do CDPC também acertaram que a comitiva brasileira que participará na próxima semana das reuniões da Associação dos Países Produtores do Café (APPC) e da Organização Internacional do Café (OIC), em Londres, defenderão a meta de exportação já acertada na reunião realizada em julho passado, em Brasília. O Brasil acordou com a APPC que serão exportadas 15 milhões de sacas em 99/2000 e 17 milhões em 2000/2001.
Apesar de defender as metas, Pratini se recusou a comentar a possível adoção de mecanismos de controle dos embarques, caso haja risco de o Brasil repetir o que ocorreu na safra 1998/1999, encerrada em junho último, na qual concordou com a APPC em exportar 15 milhões de sacas mas acabou embarcando 21 milhões, extrapolando em 40% as metas estabelecidas. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), João Carlos da Silva Júnior, disse que o assunto não foi colocado em pauta "para evitar uma guerra." Segundo ele, o controle de embarques só deve ser discutido caso ocorra o mesmo problema acontecido na safra 1998/1999. "Não vamos criar um problema antes de ele existir", afirmou.
Para o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson Ximenes, as exportações de café do Brasil ficarão bem abaixo das metas definidas junto à Associação. Na opinião de Ximenes, a produção brasileira de café será insuficiente para exportar 15 milhões de sacas na safra 1999/2000 e 17 milhões na safra 2000/2001. O presidente do CNC considera que a safra do próximo ano não deve atingir os 40 milhões de sacas, estimativa com a qual o mercado vem trabalhando. Ximenes estima que a safra 1999/2000 deve ser de 30 milhões de sacas. A principal consequência para a queda nestas previsões seriam os fatores climáticos. "Principalmente o frio na região Sul de Minas e o clima seco dos últimos dois meses nas regiões produtoras", disse.

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