Brasília, 26 (AE) - A partir da próxima semana as Santas Casas e hospitais filantrópicos conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) poderão encaminhar pedido de empréstimo dentro da linha de crédito de R$ 300 milhões criada pelo governo para socorrer as instituições. O dinheiro deverá ser usado para reestruturação do endividamento bancário, pagamento de dívidas com fornecedores e projetos de aumento da eficiência administrativa. Apenas 20% do financiamento poderá ser usado para melhorar as instalações.
O presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu hoje representantes dos hospitais, que reivindicaram reajuste de 30% na tabela de pagamento de serviços do SUS, uma linha de financiamento e mudanças na lei que limitou a isenção da contribuição previdenciária para as filantrópicas. Fernando Henrique falou sobre as dificuldades da Previdência, com déficit anual de R$ 18 bilhões, e sobre os gastos de R$ 700 milhões ao mês com o SUS.
"O presidente está estudando as reivindicações", informou o porta-voz da Presidência, George Lamazire, após o encontro.
Antes de ser recebidos pelo presidente, cerca de 400 representantes do setor haviam estado no auditório Nereu Ramos, no Congresso, e com o ministro José Serra, que admitiu a necessidade de aumento."É inegável que há, em alguns casos, a sub-remuneração", disse Serra. Para o ministro, uma solução para aumentar a tabela poderia vir do repasse para o Ministério da Saúde de cerca de R$ 500 milhões que o ministro diz ter perdido por causa da desvalorização cambial.
Estiveram com o presidente, o deputado Padre José Linhares, presidente da Confederação das Misericórdias, alguns deputados e representantes de Santas Casas. A comissão alertou que Santas Casas importantes, como as de São Paulo, Fortaleza e Porto Alegre estão com sérios problemas. O ministro Serra lembrou que a Santa Casa de São Paulo atende a um terço da população do Estado, o equivalente a cinco milhões de pessoas.

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