São Paulo, 06 (AE) - O governo deverá editar entre sábado e segunda-feira uma Medida Provisória especial para autopeças importadas de países fora do Mercosul. Os dirigentes da indústria automobilística passaram os primeiros dias do ano em Brasília para convencer o governo a fixar alíquota de 11,5% em média, que representa um desconto de 40% em relação à que efetivamente valeria a partir de 1º de janeiro.
Como não houve acordo transitório com o governo argentino para um regime especial dos dois países, valem as regras da Tarifa Externa Comum. Isto significa 35% para veículos importados fora do Mercosul e variáveis de 14%, 16% e 18% para componentes. As montadoras, maiores interessadas em manter o índice mais alto para veículos e menor para as peças que elas próprias compram no exterior, aceitaram os 35% nos carros, mas se mobilizaram pela redução no índice dos componentes.
A indústria se apressou porque, com o retorno das férias coletivas, na próxima segunda-feira, precisa começar a usar os componentes que ainda não liberou das alfândegas para tentar modificar as alíquotas.
Projeção - A produção de veículos no Brasil deverá crescer entre 10% e 12% este ano se a previsão da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) se confirmar. O presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, disse hoje que espera para 2000 produção de 1,5 milhão de veículos. O mercado interno pode passar de 1,3 milhão de unidades, o que representaria aumento de 4% a 8% em relação a 1999. A projeção maior para a produção se deve à expectativa de exportar mais.
A Anfavea anunciou ainda a previsão de conseguir com vendas ao exterior faturamento de US$ 4 bilhões. Se a meta for alcançada haverá crescimento de mais de 15% em relação ao ano passado, quando o faturamento com exportações foi 30,8% menor em comparação com 1998. O faturamento com exportações em 1999 foi de US$ 3,039 bilhões.
Desempenho - A produção de veículos no Brasil no ano passado foi a mais baixa dos últimos sete anos, num total de 1.343.633 unidades, com uma queda de 15,26% em relação a 1998. O mercado total, incluindo os importados, foi de 1.252.331 - o menor dos últimos seis anos -, numa retração de 18,37% na comparação com o ano anterior.
Já no ritmo de férias coletivas, a indústria produziu em dezembro 81.755 unidades, 27,37% menos do que em novembro, e distribuiu à rede de concessionários 85.354 veículos, incluindo importados. Por outro lado, as férias coletivas e as promoções provocaram a redução de estoques de carros em dezembro.
O volume de veículos nas fábricas e concessionárias baixou de 157.391 em novembro, para 118.241, no último dia 31. O estoque de hoje é, no entanto, suficiente ainda para 36 dias de vendas. Há um mês, o total conseguia abastecer 54 dias de vendas.
Os carros populares, ainda os mais vendidos, absorveram em todo o ano 67,5% do mercado total de automóveis. O Gol, que se mantém na liderança do mercado há 13 anos, acumulou a venda de 231.812 unidades no ano passado.
A venda de carros a álcool recuperou-se em dezembro, com participação de 2,9% das vendas no atacado (2.030 veículos). Em novembro, a participação foi de 1,6%.
Durante o ano passado, os brasileiros compraram 10.942 carros a álcool, quase nove vezes mais que em 1998. A indústria automobilística abriu 3.060 vagas, em 1999, na comparação com o ano anterior, chegando, em dezembro, com 86.109 trabalhadores. Pinheiro Neto disse hoje que a decisão de demitir ou não nos próximos dias cabe a cada montadora.
Belgo Mineira - A Companhia Belgo Mineira já tem uma recicladora de veículos pronta para operar assim que for criado o programa de renovação da frota. O anúncio foi feito pelo presidente da Anfavea. Pinheiro Neto disse que as montadoras já têm assinado contrato de reciclagem também com a Gerdau e Barra Mansa, do Grupo Votorantim. Pinheiro Neto estimou que o programa será criado no primeiro trimestre e deverá garantir a venda de 142.000 veículos novos, durante este ano.
A recicladora da Belgo Mineira está em Juiz de Fora (MG). Segundo Pinheiro Neto, serão necessárias entre seis e oito recicladoras em todo o País. A sucata resultante do processo será vendida às próprias siderúrgicas. O custo do processo, de R$ 400 a R$ 600 por veículo, será absorvido pelas montadoras. O programa de renovação da frota prevê a retirada das ruas dos carros com mais de 15 anos, dando desconto para estimular a troca por outro, menos velho ou zero quilômetro.