Governo vai distribuir pílula do dia seguinte
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quarta-feira, 09 de março de 2005
Clarissa Thomé<br>Agência Estado 
Rio- A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e o Ministério da Saúde lançam no próximo dia 22 o programa Políticas de Planejamento Familiar. Entre as medidas a serem adotadas está a distribuição gratuita nos postos de saúde de anticoncepcional de emergência, a chamada pílula do dia seguinte. O método é polêmico. Um programa municipal semelhante foi suspenso pela prefeitura do Rio, em janeiro, depois que a Arquidiocese divulgou nota condenando o que chamou de ''medicamento abortivo''. O prefeito Cesar Maia avisou ontem que não voltará a distribuir essa pílula nos postos da rede municipal.
''Nós estamos tratando disso dentro da ótica da saúde. Essas questões são sensíveis, há resistências dos setores religiosos. Mas o governo tem de se pautar pela posição de um Estado que é laico, e garantir a saúde das pessoas. A chamada pílula do dia seguinte é um recurso terapêutico existente hoje e vamos colocá-lo à disposição da população'', disse a ministra Nilcéa Freire, que participou do 2º Encontro de Mulheres e Município, no centro do Rio.
A assessora especial da Secretaria, Teresa Sousa, informou que o programa terá como enfoque o público adolescente. Cerca de 700 mil jovens com idades entre 10 e 19 anos se tornam mães anualmente. Com base nos dados do Censo 2000, 1,3% desse total tem entre 10 e 14 anos. ''A gravidez na adolescência tem nos preocupado muito'', disse Teresa.
O programa prevê o aumento da distribuição de métodos contraceptivos e a oferta de novos medicamentos, como a pílula do dia seguinte. Também haverá campanha de informação sobre a utilização desses métodos e o que representam para a saúde.
''As políticas de planejamento familiar, atenção à violência sexual, de redução da mortalidade materna não estarão isoladas. O programa em parceria com o Ministério da Saúde inclui tudo: atendimento humanizado à mulher que chega ao hospital vítima de violência sexual, ou que teve infelizmente a prática de abortamento inseguro'', disse a ministra.


