Governo vai desativar parte da unidade Tatuapé da Febem
Governo vai desativar parte da unidade Tatuapé da Febem9/Mar, 20:43 Por Luciana Garbin São Paulo, 09 (AE) - O quadrilátero Tatuapé da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) vai ser 'retalhado' até o fim do ano e terá metade de sua área desativada. Das 18 atuais unidades, o complexo passará a abrigar apenas 6. Além disso, 2 mil novas vagas serão abertas em outros centros da entidade até julho e mais 2 mil no segundo semestre. Foi o que prometeu, hoje, o secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Edsom Ortega. Para ele, as causas das fugas apóiam-se em hipóteses: alta taxa de internação, disputa de gangues, segurança menos ostensiva em algumas unidades. Com 1.387 internos, o Tatuapé é a bola da vez em matéria de problemas. Há semanas, o clima no local é de tensão, principalmente depois da rebelião do dia 20. Na terça-feira, 50 menores tentaram fugir. Sete conseguiram e cinco foram transferidos para outras unidades. Ontem houve nova tentativa: 25 chegaram às ruas, quatro não foram recapturados. Quarenta policiais militares dão plantão permanente nas imediações. Para os especialistas, as causas da instabilidade são variadas. Além de problemas estruturais, como superlotação, despreparo de funcionários e falhas no programa de atividades pedagógicas, eles apontam o carnaval, o rodízio de adolescentes e a falta de disciplina como motivos de tumulto. "Há, na Febem, a cultura de transferir quem se rebela e os meninos sabem que, fazendo isso, conseguem sair", disse o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, Renato Simões. Para o promotor da Infância e Juventude Ebenézer Salgado Soares, o carnaval é outra razão. "Em festas muito faladas pela mídia, a tensão aflora e o desejo de liberdade aumenta". O vice-presidente da Associação de Funcionários da Febem, Ailton Batista Virgulino Teixeira, tem outra teoria. Segundo ele, a falta de disciplina é uma das origens do caos na Febem. "Os meninos no Tatuapé já não têm horários, não respeitam os funcionários nem são respeitados", afirmou. "Como os monitores já não acreditam no sistema, trabalham só pelo dinheiro e pensam: 'Desde que não aconteça nada comigo, quero que se dane'". Para ele, outra agravante é a impunidade. "Os internos perceberam que, se não quebrarem as unidades e não fizerem reféns, podem tentar fugir à vontade que não acontecerá nada depois", disse. "O Judiciário fala de direitos, mas não diz aos garotos seus deveres".





