Temendo saques de alimentos no Nordeste, o governo anunciou ontem a distribuição emergencial de 100 mil cestas básicas a partir da semana que vem, na primeira ação da recém-criada Câmara Setorial Extraordinária para enfrentar a seca na região. O abastecimento de água por carros-pipa, com o apoio do Exército, contará com R$ 9 milhões.
Coordenador da Câmara, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, disse ter conhecimento de saques ‘‘residuais’’ em Sergipe e na Paraíba. Ele contou que ontem mesmo telefonaria a todos os governadores nordestinos para informar sobre as medidas emergenciais.
Apesar da prioridade inicial à distribuição de alimentos e água, Jungmann enfatizou que ação do governo buscará romper com os mecanismos tradicionais de clientelismo da chamada indústria da seca. ‘‘Ficar em carro-pipa é engordar a cleptocracia oligárquica’’, afirmou.
O ministro disse que o governo decidiu antecipar-se aos efeitos da seca este ano, ao contrário do que fez em estiagens anteriores. Hoje ele estará em Patos (PB) e, domingo, instalará seu gabinete na sede da extinta Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), no Recife, onde terá encontros com representantes da sociedade civil e dos governos locais.
As ações do chamado pacote de sobrevivência deverão consumir R$ 69 milhões. Outros R$ 35 milhões deverão ser investidos no fornecimento de água às escolas, para garantir a continuidade do ano letivo.
O governo quer acelerar a liberação de recursos do Orçamento para obras hídricas e abrir linhas de crédito para atividades não-agrícolas. A estiagem deve durar pelo menos até outubro ou novembro e comprometerá até 90% da produção agrícola da região, onde 322 municípios já decretaram estado de calamidade pública e outros 257 estão em vias de fazer isso.

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