O governo vai criar uma agência de promoção comercial de produtos da Amazônia visando abrir mercados para cooperativas e associações formadas pela população extrativista. A agência será ligada à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e faz parte dos primeiros resultados do Programa Amazônia Solidária, executado pela Comunidade Solidária em parceria com vários ministérios. Ontem, durante a avaliação do programa, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anunciou a criação de mais cinco reservas extrativistas no Amazonas e Pará.
A agência vai substituir, na prática, a figura do atravessador que intermedia a negociação dos produtos extrativistas, principalmente a borracha e a castanha. O governo pretende abrir espaços para as cooperativas e associações, para mostrar produtos no mercado nacional e internacional disponíveis. Para isso, devem ser criados serviços de informação em tempo real nas próprias instituições. A agência seria instalada inicialmente em Manaus, nas próprias dependências da Suframa e da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
Os produtos extrativistas foram fontes de renda e de sustentação econômica de Estados da Amazônia de 1732 a 1960, mas a decadência do setor, por falta de infra-estrutura da região tornou-se crescente nos últimos 38 anos. A extração da borracha foi, por exemplo, uma das principais responsáveis pelo povoamento da região Norte, ocupou lugar de destaque nas exportações brasileiras por três décadas. Durante esse período, sempre esteve presente, entre o produtor e o comerciante, a figura do ‘‘aviador’’ - que repassava a alimentação e cobrava em produtos, sempre com desvantagem para o extrativista.
A finalidade da agência é rastrear informações de mercado, identificar os compradores potenciais e abrir espaços de mercado para os produtos extrativistas. Além disso, irá intermediar negócios para as associações e cooperativas, contratar estudos e criar sistemas de assessoramento mercadológico e treinamentos para a população extrativista. Para isso, o governo vai exigir que as associações que participarem do processo sejam também qualificadas e equipadas adequadamente.
O principal resultado dos dez primeiros meses do Programa Amazônia Comunitária foi a criação de cinco reservas extrativistas na Amazônia. Duas estão no Pará (Arapiuns, em Satarém e Tapajós) e três no Amazonas (Baixo Juruá, Uati-Paraná e Rio Jutaí) e estarão funcionando a partir do próximo ano.

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