Brasília, 05 (AE) - O governo federal vai criar 15 novas reservas extrativistas no País até o primeiro semestre do próximo ano. Levantamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mostra que as populações das reservas extrativistas estão ajudando a diminuir o desmatamento mais do que a fiscalização tradicional. O País tem apenas 12 reservas extrativistas, quase todas em áreas de exploração de castanha e babaçu, e o governo quer ampliar a preservação de manguezais.
As reservas extrativistas, de acordo com o Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentado das Populações Tradicionais (CNPT), do Ibama, podem funcionar como importante fator de proteção também dos manguezais, considerados berçários de várias espécies de peixes, lagostas e camarões. Os manguezais estão entre as áreas mais atingidas pela pesca predatória no País.
As reservas extrativistas são áreas destinadas à população para exploração auto-sustentável e conservações dos recursos naturais renováveis. A exploração dos recursos naturais obedecem a um plano de manejo, definido pela população e o Ibama.
De acordo com Alexandre Cordeiro, gerente da área de manguezais do CNPT, a criação das reservas é feita com base no Decreto nº 98.897, de 1990. Elas integram o sistema nacional de unidades de conservação do meio ambiente. As populações que habitam os manguezais poderão continuar morando e explorando as áreas pelo sistema de contrato de concessão real de uso, mas terão que discutir planos de utilização. São as populações que ficam encarregadas de preservar e fiscalizar o meio ambiente.
A reserva extrativista mais antiga é a Chico Mendes, com 9.705 quilômetros quadrados, no sul do Acre, englobando área de sete municípios. A renda das 1.500 famílias que vivem no local provém da coleta de castanha. Cordeiro disse que o Ibama vai sugerir às populações das novas unidades que façam rodízio de coleta de crustáceos nas áreas exploradas e estabeleçam época de defeso, para reprodução.
Novas - A expectativa do Ibama é de que neste ano sejam criadas quatro reservas e os decretos das 11 restantes seja publicado no primeiro semestre do próximo ano. Na relação estão o Delta do Parnaíba, no Maranhão, considerado um dos paraísos naturais do Brasil e de onde são retiradas oito toneladas de caranguejo por semana. E também o manguezal Pirajubaé, em Santa Catarina. Cordeiro disse que as reservas serão criadas a pedido das populações locais.
O Ibama também vai transformar em reservas extrativistas as áreas conhecidas como "costão". Estão na lista o costão de Itaipu (RJ), Ponta de Corumbaú (BA) e Itacaré (BA).
Desmatamento - O CNPT constatou que a queda do nível de desmatamento em algumas reservas foi 20% maior do que em relação ao restante do Estado onde estão localizadas. E verificou, a partir do envio de questionário aos moradores, que caçar ficou mais fácil depois da criação das reservas, com a expulsão dos caçadores profissionais. Mesmo caçando porcos-do-mato, veados e pacas, os moradores das reservas acabam preservando mais o meio ambiente do que na época em que a caça era permitida. Segundo os moradores, pescar também ficou mais fácil, embora algumas espécies tenham sido extintas.
Manejo - O CNPT lança quinta-feira um CD-Rom com informações sócio-econômico-ambientais sobre as reservas extrativistas Chico Mendes (AC), Alto Juruá (AC), Rio Cjari (AP) e Rio do Ouro (RO). O CD-Rom foi produzido em parceria com o Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama e tem informações como mapas de solo, hidrologia, aptidão agrícola e cobertura de flora. Segundo os técnicos do Ibama, o mateiral é um importante instrumento de trabalho para climatologistas, antropólogos, geólogos e agrônomos.

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