Governo vai contratar professores universitários
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de março de 2004
Maria DuarteEquipe da Folha 
Curitiba- O Palácio Iguaçu anunciou, no início da noite de ontem, que o governo vai abrir teste seletivo para 690 professores universitários, o que vai contribuir para reduzir o déficit de professores no terceiro grau. Ainda não há data definida para o teste, segundo a assessoria de Comunicação do governo.
O anúncio saiu poucos minutos depois da explanação do secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, sobre o cancelamento de 43 cursos nas universidades estaduais. Rizzi foi até a Assembléia Legislativa para falar sobre o cancelamento, mas sua exposição que durou mais de duas horas acabou se concentrando nas restrições orçamentárias do Estado. Rizzi foi convidado pela base governista para explicar as razões do governo para fechar os cursos. O governo cancelou os vestibulares, mas os alunos em curso poderão se formar.
Os deputados, porém, não ficaram completamente satisfeitos. Eles queriam detalhes sobre os critérios usados para cancelar os cursos. Rizzi mostrou a disposição do governo para reavaliar os cancelamentos, dando chance para que as universidades argumentem com o governo e defendam a manutenção dos cursos.
''Foi um debate sobre as limitações do orçamento. Eu faço parte da Comissão de Orçamento e sei que há limitações. E não é só em relação às universidades ou ao plano de cargos dos professores, é geral'', comentou o deputado André Vargas (PT). Sobre a apresentação de slides do secretário, Tadeu Veneri (PT) disse que já viu a mesma apresentação diversas vezes. ''O que nós queremos saber é qual o conceito que o governo tem das universidades'', disse Veneri.
Rizzi disse que o governo Roberto Requião (PMDB) busca racionalizar os custos das universidades, economizando R$ 3 milhões por ano. Além disso, afirmou o secretário, há um programa de avaliação institucional, cujo objetivo é nortear as atividades acadêmicas, corrigindo eventuais distorções.
No dia 8 de março, o governador Roberto Requião (PMDB) anunciou a extinção de 43 cursos em universidades estaduais do Paraná. Para Requião, a criação desses cursos, que aconteceu entre 2000 e 2002 na gestão de Jaime Lerner (PSB) , não foi acompanhada de previsão orçamentária e didática.
O governo Requião justifica a medida dizendo que não há recursos nem professores suficientes para manter os cursos funcionando. O Paraná tem seis universidades estaduais, com 252 cursos de graduação e 71,6 mil alunos. Os dados foram apresentados pelo secretário Rizzi. No ano passado, as seus universidades consumiram R$ 479,4 milhões em recursos, e a previsão para este ano é de R$ 665,7 milhões.


