Brasília, 07 (AE) - O governo brasileiro iniciou o processo de compra dos primeiros dois milhões de preservativos femininos para projetos de prevenção à aids entre mulheres. Nesta semana a Coordenação de Aids do Ministério da Saúde receberá o resultado de um levantamento mundial de fornecedores do produto, com preço médio 1.500% superior ao do preservativo masculino.
O preservativo será usado em projetos voltados principalmente para profissionais do sexo e mulheres brasileiras de baixa renda."O uso do preservativo feminino vai dar à mulher a condição de decidir sobre sua proteção, independentemente do parceiro sexual", afirma o coordenador do programa no ministério, Pedro Chequer. O governo está concluindo uma pesquisa de aceitabilidade da camisinha feminina entre 1.200 mulheres de cinco localidades. Os resultados ainda não foram totalmente tabulados, mas a aprovação da maioria reforçou a decisão de comprar o produto.
Hábito - Para a população masculina, o ministério está comprando, em 99, 200 milhões de unidades de preservativos. Para as mulheres, a compra é menor por ser necessário estimular o uso de um produto novo. "Temos que construir do zero esta nova cultura entre as mulheres", diz Chequer. Mas ele acredita que, com o tempo, os preservativos femininos serão uma grande arma para evitar a infecção pelo vírus HIV.
"Se entre os homens o uso ainda não é o ideal, é preciso criar a cultura entre suas parceiras", diz Chequer. Pesquisas revelaram que 40% dos homens de até 20 anos usam sempre a camisinha nas relações sexuais. Mas somente 20% dos adultos usam obrigatoriamente a proteção durante todas as suas relações.
Por enquanto, o governo brasileiro tem conhecimento de apenas um produtor de preservativos femininos, a empresa inglesa London Female Condon. O ministério pediu ao programa mundial de combate à aids das Nações Unidas e a outras entidades, como a própria Organização Mundial de Saúde (OMS), informações sobre outros fabricantes.
Caso só exista um produtor, a Coordenação de Aids solicitará uma autorização ao Banco Mundial ( que financia o programa ) para a compra direta. Em caso de mais de um fabricante, será aberta uma licitação internacional. Segundo Chequer, o Brasil comprou 100 mil preservativos femininos para o teste de aceitabilidade, pagando US$ 0,60 por unidade.O preservativo masculino custa US$ 0,04.
Um dos principais problemas será ultrapassar o preconceito do homem com a camisinha. A feminina é produzida com o mesmo material do preservativo masculino. Ela tem dois anéis flexíveis, um interno e outro cuja bainha fica fora da vagina. É colocado de forma parecida com o diafragma e pode ser inserido até oito horas antes da relação.

mockup